Zenteno defende outras tecnologias para Banda Larga Para Todos

O presidente da Claro, Carlos Zenteno, defende a utilização de outras tecnologias para atender às metas de infraestrutura do programa Banda Larga Para Todos. Ele contesta a pretensão do Ministério das Comunicações de chegar a 90% dos municípios com rede de transporte ótico até 2018. "Não tem que ser com fibra, pode ser qualquer tecnologia, pela própria complexidade", disse ele a este noticiário após debate no 59º Painel Telebrasil nesta terça, 1º. Ele justifica que algumas localidades mais remotas dificultam a instalação da infraestrutura, e que o atendimento com a combinação de backhaul de micro-ondas com acesso em 3G e 4G pode ser feito, já que "também há demanda" para essas tecnologias.

O atendimento em regiões afastadas dos grandes centros, defende, precisa de estímulos econômico para justificar a expansão. Zenteno lembra que 43% dos acessos de banda larga são realizados através de smartphones, e que isso deveria ser levado em consideração para o uso da rede móvel, ainda que a velocidade média não seja otimizada. "Melhor do que chegar com velocidade alta é chegar com velocidade razoável, com banda larga em termos internacionais", diz. Para ele, as metas de velocidade também devem ser ajustadas em função das diferentes regiões.

Telebras

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Zenteno reforçou durante o  painel sobre políticas de massificação da banda larga que é o momento para revisar o modelo de concessão e de colaboração para que a Internet consiga chegar nos lugares mais isolados do Brasil. "E a estatal Telebras teria um papel muito importante, de construir as redes nos lugares isolados do Brasil. Não tem muito sentido fazer leilões para serviços universais em cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba, em fazer investimentos onde já existem operadoras e uma demanda natural", avalia.

PPPs

Para o senador Wanter Pinheiro (PT-BA), o que deveria ser capitaneado pelo governo no momento de contingenciamento e crise econômica seria o debate com os Estados para parcerias público-privadas (PPPs) em casos concretos, induzindo a demanda, como o uso de infraestrutura de banda larga para o programa de combate à dengue, conexão de serviços de saúde com aplicações de telemedicina, entre outras. "Wi-Fi em praça pública não é politica de banda larga. Para massificar a banda larga tem que discutir por onde começa, onde juntar as diversas frentes, governos municipal, estadual, federal, operadoras e população". Para ele, com um orçamento deficitário de R$ 30 bilhões, o governo não terá a menor condição de investir no Banda Larga para Todos.

O executivo da Claro se mostrou aberto à contribuição na proposta do senador Walter Pinheiro de PPPs de ações individuais em regiões remotas para levar acesso à banda larga – desde que não envolva mais dinheiro. "Até proporíamos fazer pilotos em algumas cidades para testar o modelo e saber o que poderia funcionar melhor. Estamos com a maior vontade de colaboração", declara. Mas logo complementa: "Em termos de investimento, nossa capacidade é limitada ou nula, mas existe a possibilidade de colaborar com conhecimento tecnológico e capacidade de implantação para poder avançar."

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