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Desenvolvimento
Cisco quer maior foco na infraestrutura para preencher gap tecnológico na América Latina
terça-feira, 07 de novembro de 2017 , 23h03

O gap tecnológico da América Latina é uma dos desafios que a Cisco encara como oportunidade para desenvolvimento dos países. A companhia afirma que o processo de digitalização na região "continua sendo claro", sobretudo com o foco na infraestrutura de rede no contexto de aplicações novas, como cidades digitais e Internet das Coisas, como motriz para o próprio desenvolvimento econômico. "Tem muito progresso em comparação com cinco anos atrás", avalia o presidente da Cisco na LATAM, Jordi Botifolli.

O executivo vê como grandes pivôs da adoção de smart cities no bloco econômico o aumento nos investimentos em mobilidade urbana (com inteligência no controle de tráfego) e na implantação de smart grids. "O grande valor de um poste elétrico é que ele se converta em ponto de entrada de rede e que tenha dezenas de sensores com utilidade pública", declara, citando como exemplo um monitoramento de fluxo de pessoas. "E há outros interlocutores como operadores de telecom, [interessadas em] pontos de rede, e aí querem formar parcerias."

A vice-presidente sênior para Américas da fornecedora, Alison Gleeson, explica que o controle de fluxo de tráfego, o transporte público e a gestão de estacionamentos em cidades de grande densidade são oportunidades para smart cities que acabarão culminando em tecnologias mais avançadas, como os veículos autônomos. "A política da segurança (na regulação) é uma grande parte, e diferentes estados (norte-americanos) mudam de opinião: são sete atualmente que deram sinal verde para os carros autônomos, mas se crescer para dez, todos vão atrás", declara.

Infraestrutura

Como fornecedora, é natural que a Cisco seja a favor de investimentos em infraestrutura para que as empresas consigam se adequar à demanda de dados, em vez de compartilhar a rede legada, por exemplo. "Em qualquer país, se tem sete operadoras, cada uma com fibra e banda larga, isso é bom para o país", avalia. Botifolli diz que na Europa a regulação "desmotivou operadoras a investir em redes", o que ele considera ter sido ruim para a implantação da Internet das Coisas. "Estamos falando de 50 bilhões de dispositivos [segundo projeção da companhia para 2020], a necessidade de redes de telecom é imensa."

A vice-presidente de iniciativas de crescimento e chefe do escritório do CEO da Cisco, Ruba Borno, acredita que as redes precisam ter maior relevância na formulação de políticas públicas. "Achamos que as redes precisam ser consideradas infraestruturas críticas. Se seu serviço de celular cai, isso não afeta sua produtividade diária? A habilidade de se comunicar com pessoas, de achá-las… É [uma infraestrutura] tão crítica que achamos que todos os governos deveriam considerá-la assim", declara. Um exemplo disso, diz, são os esforços para restabelecer as redes após desastres naturais como em Porto Rico e no México.

Capacitação

Outro gap na região é o profissional: a revisão é de demanda de mais de 449 mil vagas de TI na América Latina até 2019. Para isso, a Cisco promove programas globais como o Networking Academy, que está completando 20 anos. A iniciativa tem forte presença de países da região, incluindo Peru, Brasil e México como os de maior impacto. Na unidade brasileira, o programa existe há 17 anos e conta com mais de 240 mil alunos matriculados em mais de 500 academias. Considerando todo o mercado latino-americano, são 1,6 milhão de estudantes do programa de responsabilidade social da companhia desde 1997.

* O jornalista viajou a Cancún a convite da Cisco Brasil.

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