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Banda larga
UIT estima em US$ 450 bi o investimento para conectar as próximas 1,5 bilhão de pessoas
quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016 , 17h27

A Comissão de Banda Larga da União Internacional de Telecomunicações (UIT) se reuniu em sessão especial em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial nesta quinta-feira, 21, para facilitar o alinhamento e colaboração no setor. Com isso, reuniu diversas iniciativas, como o World Summit on the Information Society (WSIS); a Connect 2020 Agenda, da UIT; a Network 2020, da GSMA; e o Internet.org, do Facebook, para produzir um comunicado conjunto visando determinar os investimentos necessários para conectar pelo menos 60% da população mundial até 2020. Nas contas da UIT, o total necessário é de US$ 450 bilhões.

A ideia é ressaltar fatos em relação ao impacto da banda larga na economia em geral, o investimento agregado necessário para conectar os próximos 1,5 bilhão de indivíduos ainda off-line no mundo e o impacto que um ambiente regulatório de engajamento progressivo tem na penetração da banda larga. Segundo o comunicado conjunto, o mundo conta atualmente com 3,2 bilhões de pessoas online e mais 4,140 bilhões ainda offline. Somente nas 48 nações menos desenvolvidas, a penetração de Internet é menor do que 10%, chegando a menos que 2% em seis dos países mais pobres.

Considerando a divisão por região, os maiores índices de desconectados estão na Ásia/Pacífico, com 62,15% (ou 2,572 bilhões de pessoas); África, com 17,84% (738,6 milhões); as Américas, com 8,09% (334,8 milhões); e Estados Árabes, com 5,79% (239,7 milhões). Os lugares com menos pessoas off-line são a Europa, com 3,39% (140,5 milhões), e a Comunidade dos Estados Independentes (antiga União Soviética e que engloba Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão), com 2,74% (113,5 milhões de pessoas).

Investimentos

Em relação aos investimentos necessários, o documento reúne diversos estudos para indicar resultados. Considerando a necessidade de conectar os próximos 1,5 bilhão de usuários (e levando em consideração que se tratam de conexões não necessariamente fixas ou de alta capacidade), a UIT estima que seria necessário US$ 450 bilhões globais em investimentos.

Esta soma da entidade difere dramaticamente de estudos individuais por regiões por utilizar na metodologia alguns recortes, como o total de indivíduos offline, o tamanho médio de domicílios e divisão de população rural e urbana. Cita duas fontes para estimar o valor total: a Point Topic, que estima 150 euros por residência em região urbana e 2 mil euros em área rural, e a Koutroumpis, que exclui custos de tecnologias em WiMAX e satélite. Para efeito de comparação: na Europa, considerando metas de cobertura rurais e urbanas e tecnologias como fibra até a residência (FTTH), a quantia vai de 73 a 270 bilhões de euros. Para a região da América Latina e Caribe só é citado um estudo da associação de telecomunicações da região, Asiet (antiga Ahciet), que determina investimento de US$ 355 bilhões. No caso das Américas, pelas contas do próprio estudo da UIT, o investimento necessário para zerar o contingente de desconectados seria de US$ 25 bilhões, bem menos do que o número da Asiet.

Regulação e inclusão

O relatório da ONU afirma que mais de 200 estudos foram realizados e comprovam o impacto na economia (macro e micro) com o aumento da penetração na banda larga, incluindo crescimento do PIB, de oferta de empregos, de eficiência de empresas e outras variáveis socioeconômicas. Segundo os estudos, o impacto no PIB com aumento de 10% na penetração da conexão é de 0,25% a 1,38%, sendo que na América Latina, o aumento estimado é de 3,19% no PIB per capita. Com a duplicação da velocidade na banda larga, pode-se aumentar o PIB em 0,3%.

O estudo indica também que uma regulação melhor é associada ao crescimento mais rápido da banda larga móvel, incluindo políticas públicas como planos nacionais de banda larga. Assim, determina que "um ambiente regulatório mais avançado está, em média, associado com uma penetração maior de banda larga móvel e fixa".

No comunicado ainda há o reconhecimento de que a Internet precisa ser mais inclusiva: apenas 5% dos idiomas no mundo estão online. Também chama atenção para as barreiras de educação para conectar essas pessoas, já que 781 milhões de adultos são analfabetos, enquanto 100 milhões de crianças não tiveram acesso à educação primária completa.

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