Radiodifusores exageram ao dimensionar interferência na faixa de 700 MHz, diz Minicom

Para o Ministério das Comunicações, os radiodifusores exageram ao dimensionar a interferência que a implantação dos sistemas de banda larga LTE na faixa de 700 MHz poderá causar na transmissão e recepção da TV digital. "A gente tem certeza que não tem uma interferência significativa. Os nossos estudos indicam que isso (as estimativas dos radiodifusores) é um grande exagero", disse o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Minicom, Genildo Lins. Os radiodifusores mostraram ao governo estudos feitos no Japão em que o custo para mitigação da interferência superaria a casa dos US$ 3 bilhões (naquele país). No Brasil, o problema poderia ser maior, segundo as emissoras. Por isso, a radiodifusão vem cobrando do governo estudos mais aprofundados sobre a interferência entre os dois sistemas.

De qualquer forma, Genildo Lins deixa claro que este custo deverá ser suportado pelas teles ao adquirirem as frequências. "Isso vai estar no edital de licitação (de 4G). As teles têm que suportar os custos de interferência", diz ele. Além deste, as novas entrantes na faixa deverão custear a troca do equipamento da radiodifusão para funcionar em outra faixa e, quando for o caso, o custo de mudança do local da antena.

A publicação do edital de venda da faixa de 700 MHz, entretanto, ainda depende da conclusão do replanejamento dos canais, trabalho que está sendo feito pela Anatel juntamente com os radiodifusores. Depois de concluído, segundo o secretário, será colocado em consulta pública o novo Plano Básico de TV Digital, com a nova configuração de ocupação de cada um dos canais.

O novo Plano Básico vai planejar o uso dos canais por área metropolitana e não mais por município, o que causava um problema nas áreas muito densas como em São Paulo. Com o planejamento contemplando os efeitos de alocação de cada canal para toda a área metropolitana, explica o secretário, algumas emissoras não precisarão mais de duas geradoras (e, consequentemente, dois canais) para transmitir sua programação para essa área metropolitana. Foi por isso que o decreto publicado nesta terça, 30, dá a emissora o direito a um canal digital para repetição de TV, mas ela tem que abrir mão de um canal usado pela sua outra geradora. Segundo Genildo, isso acontece em São Paulo com "umas duas ou três empresas".

O decreto também permite que as emissoras que ainda não digitalizaram seu sinal (algo em torno de 40 geradoras e 4 mil retransmissoras) possam fazê-lo no mesmo canal que elas usam para a transmissão analógica, abolindo, portanto, a obrigação do simulcast. Essas duas alternativas serão compulsórias nas cidades onde não há sobra de canais, explica o secretário.

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