GSMA aponta riscos de rentabilidade, anuncia "guerra ao roaming" e defende redes compartilhadas

Sunil Bharti Mittal, presidente do grupo Bharti, da operadora indiana Airtel e agora chairman da GSMA Association, estabeleceu um novo tom no discurso da associação na abertura do Mobile World Congress 2017 (MWC2017) , que acontece esta semana em Barcelona. A GSMA congrega a as principais operadoras de telecomunicações do mundo.

Ele apontou os preocupantes problemas de rentabilidade enfrentados pela indústria. Em muitos países, diz ele, essa rentabilidade já está na casa de um dígito "e é preferível deixar o dinheiro rendendo no banco". Na média, diz ele, o retorno está na casa dos 12%, contra 16% em 2010. O valor de mercado das empresas também tem caído nos últimos três anos, e os investimentos, ainda que relativamente estáveis na casa dos US$ 200 bilhões ao ano, estão se revertendo menos em novas vendas .

Imagem e roaming

Mittal reconheceu que a indústria tem um problema sério a resolver em relação à forma como é percebida pelos usuários pelos serviços prestados. "As pessoas adoram o resultado do que oferecemos, mas não gostam da jornada". Segundo o chairman da GSMA, a percepção da indústria é semelhante à da indústria de tabaco. "Precisamos resolver esse problema e mostrar o que oferecemos à sociedade, e uma forma de começar a fazer isso é acabando imediatamente com o roaming. Precisamos dar a elas uma conectividade realmente global disse ele, lembrando que 75% dos usuários costuma desligar o telefone ou desativar algum serviço quando viaja. "Prometo que durante o meu mandato (como chairman da GSMA) as tarifas de roaming serão deixadas para trás",  disse ele em tom político, raramente visto nos posicionamentos da associação. "Será uma guerra ao roaming". Bharti Mittal foi eleito no final de outubro, e portanto essa foi a sua primeira aparição pública. Ele também é o primeiro chairman da GSMA responsável por uma operadora originária de um país em desenvolvimento.

 

Compartilhamento

Um outro ponto trazido por Bharti Mittal, com um tom muito mais incisivo do que o usual, foi um chamado para a que a indústria de telecomunicações caminhe para o que ele chama de "netcos", ou operadoras de rede: empresas que investem, constroem e operam redes compartilhadas por múltiplos prestadores de serviço. Segundo ele, a indústria amadureceu nesse sentido, as empresas de torres são hoje uma realidade, co-billing é uma realidade e "é preciso dar o próximo passo". Ele afirmou que essa abordagem é essencial para melhorar a rentabilidade da indústria e otimizar as necessidades de investimento. "Sabemos que há resistência, sobretudo das operadoras que já fizeram investimentos e hoje lideram o mercado, mas é um desafio que precisamos enfrentar".

Consolidação

Sunil Mittal também adotou um tom incisivo em relação à possibilidade de concentração da indústria. Desta vez falando para reguladores, ele disse que a indústria de telecomunicações não é sustentável com muitos players, porque existe uma necessidade de investimentos pesada, e lembrou que os reguladores, na expectativa de arrecadar com a venda de licenças, têm forçado o mercado a um cenário de competição além do nível saudável. Ele disse que um número de três operadores é razoável dependendo do país, e que os reguladores precisam dar flexibilidade para esses movimentos de consolidação. "Serão menos operadores, mas mais eficientes".

Carga regulatória

A mensagem mais permanente da indústria nos últimos anos não poderia ficar de fora, e o tema regulamentação foi também pontuado enfaticamente pelo chairman da GSMA como um entrave ao desenvolvimento da indústria e aos benefícios trazidos pela conectividade. "Licenciamento de espectro, tributos, excesso de regulação, são todas questões que impedem que os países possam ter o benefício pleno do desenvolvimento das redes de telecomunicações", disse Mittal, lembrando que em muitos países a carga tributária passa os 35%. A questão tributária, aliás, é uma novidade no discurso de um chairman oriundo de um país em desenvolvimento.

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