Cisco lança sistema para Internet de todas as coisas

A Cisco lançou mundialmente nesta terça-feira, 24, sua solução para o conceito de "Internet de todas as coisas", especialmente de olho na demanda de tráfego descentralizado que acontece em redes que atendem comunicações móveis normais e máquina-a-máquina (M2M). Chamado de Sistema de Convergência de Rede (NCS, na sigla em inglês), a plataforma é baseada no conceito redes escaláveis, atuando como uma espécie de tecido que une redes definidas por software (SDN). O sistema tem como maiores clientes em potencial as operadoras, que poderão lidar com a demanda por dados de forma dinâmica.

Segundo o diretor de operações da Cisco do Brasil, Anderson André, a configuração da arquitetura de redes com o desenvolvimento de novos tipos de comunicação acaba por exigir novas soluções para conseguir dar conta de uma demanda que prevê 50 bilhões de coisas conectadas no mundo até 2020 (sem considerar conexões normais humanas). "Muda o padrão porque é um impacto de rede descentralizado, as redes de hoje não estão preparadas para isso, não têm como adaptar de forma dinâmica para a Internet de todas as coisas", afirmou, durante coletiva de lançamento em São Paulo. A empresa garante que, com a solução, é possível reduzir o custo em 45% com consumo de energia 60% menor.

Ele exemplifica a situação de um evento com grande densidade de conexões simultâneas, como o trajeto de pessoas de um aeroporto até o local de um show, por exemplo. "A rede móvel precisa ir se adaptando para dar conta da densidade, é preciso ter a análise em tempo real com performance grande, porque o fazedor de políticas (de tráfego) desloca a necessidade para as estações radiobase mais próximas, abre o Wi-Fi no caminho e, quando chega no lugar, concentra a capacidade de banda na fibra (que leva conexão aos pontos de acesso, sejam Wi-Fi ou small cells)". Segundo o executivo, é possível liberar 40% de banda ao otimizar a cobertura, possibilitando também o consumo de vídeos sem perda de pacotes.

Como é virtualizado, o sistema NCS da Cisco também conta com a vantagem de trazer compatibilidade com vários níveis de rede (no acesso, edge e core), inclusive com legado de redes ATM, SDH e WDM. "A ideia é que, com isso, tenho acesso IP direto na fibra, ou no máximo um WDM com lambdas em cima da rede", diz André. "O NCS é a cola, o cérebro, o sistema nervoso central para ligar a SDN e trazer conceito de computação em nuvem para dentro da rede."

Caixas da Cisco

Apesar de contar APIs abertas para desenvolvedores, a Cisco apresenta a família de caixas equipadas com o sistema. O NCS 6000 é o topo de linha, com maior capacidade para aguentar o transporte de até 5 Tbps por slot e 1,2 Pbps (petabit por segundo) em configuração multichassi. Já o NCS 2000 se conecta a rede de transporte DWDM com taxas de 100 Gbps e suporta a configuração de rede dinâmica, podendo ser integrado a um NCS 6000. Ambos os equipamentos estão sendo lançados no Brasil nesta terça. Já o NCS 4000, com suporte a 400 Gbps e 6,4 Tbps por sistema, suportará aplicações ethernet, WDM e outras, tirando proveito de redes legadas. A caixa estará disponível no primeiro semestre de 2014.

O processador por traz dessas capacidades é o nPower X1, a unidade de processamento de rede (NPU). Ele levou 3,5 anos para ser desenvolvido e conta com mais de 4 bilhões de transistores, com 336 cores multitarefas.

De acordo com a empresa, as operadoras e provedores como a BSkyB britânica, a Telstra da Austrália e a KDDI do Japão já estão utilizando o NCS da Cisco.

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