Relatório questiona fôlego do plano de distribuição de dividendos da Oi

As ações da Oi tiveram um dia ruim no mercado de capitais. Os ativos negociados pelo código OIBR3 cederam 5,30%, encerrando o dia valendo R$ 7,32; enquanto as ações OIBR4 perderam 6,24% de seu valor, sendo cotadas a R$ 6,20 em média ao final do pregão (atualização às 17:45). Dois motivos levaram a essa queda, segundo analistas ouvidos por este noticiário. Um relatório que questionou a capacidade da Oi de continuar a distribuir os dividendos nos patamares anunciados na quinta (R$ 1 bilhão entre dividendos e bonificações) e bancar os investimentos; e a realização de lucros depois do anúncio dos dividendos.

O maior impacto veio da Corretora Planner, que divulgou relatório nesta sexta-feira, 22, criticando a política de dividendos e bonificações da Oi. A análise questiona a capacidade da empresa de manter seus planos de investimento e, ao mesmo tempo, sustentar uma distribuição de dividendos atraente aos seus investidores.

A Planner opinou em seu relatório que é negativa a continuidade da política de remuneração aos acionistas da companhia. Segundo a corretora, "a prática não se demonstra compatível com sua geração de caixa e necessidades de investimento".

O yield [taxa de rentabilidade de um ativo] obtido por quem investiu nas ações OIBR3 até o dia 21 deste mês foi de 7,5% por ação e de 8,7% para OIBR4, levando em consideração o preço das ações no encerramento do último pregão da BM&FBovespa.

"Vemos como negativa a continuidade da Política de Remuneração aos Acionistas da companhia, que não se demonstra compatível com sua geração de caixa e necessidades de investimento. A Oi determinou como condicionante para as distribuições que sua razão dívida líquida/EBITDA em 12 meses esteja abaixo de 3,0x, sendo que, de 2011 para 2012, essa relação elevou-se de 1,78x para 2,85x. O fraco desempenho das ações da companhia recentemente, a despeito do yield atrativo das distribuições, demonstra a desconfiança do mercado quanto à sustentabilidade dessa política e à situação financeira da companhia nos próximos anos", concluiu a Planner.

Recorde-se que a avaliação do fôlego da Oi para distribuir os dividendos e ao mesmo tempo manter seus investimentos foi uma das razões para a saída de Francisco Valim do comando a empresa, dado que o executivo vinha questionando os controladores sobre a necessidade de reduzir o payout da companhia neste ano para aumentar a perspectiva de investimentos de R$ 6 bilhões para R$ 7,5 bilhões.

Lucros

De acordo com analistas do mercado financeiro procurados por TELETIME, esse recuo no preço das ações da Oi ocorre também porque há um movimento de venda de papéis por parte de acionistas que adquiriram a ação no último dia 19 para ter direito a um dividendo de R$ 0,60 por ação. "Agora tem gente saindo do papel porque desde o dia 20 ele se tornou ex-dividendo", disse Pedro Galdi, da corretora SLW.

Sobre o relatório da Planner, Galdi diz que "o payout de R$ 1,20 anual por ação é um belo Yield, agora a questão é se eles vão conseguir manter".

Outro problema listado para a desvalorização da companhia é a quantidade de multas impostas à empresa pela Anatel ao longo dos últimos meses e as pendências judiciais que fazem a companhia provisionar parte dos seus ganhos, além do próprio endividamento da Oi.

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