Aumenta o impacto do coronavírus na produção eletrônica brasileira

Foto: Pixabay

Após indicar no começo de fevereiro que a epidemia de coronavírus iniciada na China estava causando desabastecimento de componentes na indústria eletroeletrônica brasileira (em especial na área eletrônica), uma segunda sondagem realizada pelo setor revelou um impacto ainda maior que o constatado no começo do mês.

Segundo revelou nesta sexta, 21, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 57% das empresas da área já apresentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China. A marca é maior em cinco pontos percentuais que a primeira verificada pela entidade.

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A situação é observada principalmente entre os fabricantes de produtos de tecnologia da informação (celulares, computadores, entre outros). "O momento é delicado e devemos ter diversas paralisações daqui para frente. O problema só não é mais grave porque dispomos da produção local desses produtos", afirmou o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.

Segundo a associação, 4% das pesquisadas já operam com paralisação parcial em suas fábricas. Outras 15% programaram paradas para os próximos dias, sendo a maior parte delas de caráter parcial. Já 54% da cadeia ainda não têm previsão de parar atividades: a decisão dependerá de quanto tempo persistirem os problemas no abastecimento.

Estima-se que as empresas devam demorar, em média, cerca de dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China. A Abinee ouviu 50 players diferentes da indústria na sondagem.

Impacto no trimestre

Com o cenário, 17% das pesquisadas já informaram que não devem atingir a produção prevista para o primeiro trimestre deste ano, com produção em média 22% abaixo da projetada. Para metade das empresas, no entanto, as projeções devem ser mantidas; outras 33% afirmaram que ainda não é possível dar tal indicação.

Na indústria eletroeletrônica, 42% dos itens importados são provenientes da China, totalizando US$ 7,5 bilhões em compras em 2019. Outros países da Ásia foram responsáveis por 38% das importações de componentes no período, levando para 80% a relevância do continente na cadeia de fornecimento do setor.

Vulnerabilidade

"A situação expõe nosso alto índice de vulnerabilidade em relação à importação de componentes", observou Humberto Barbato. Para ele, o problema abre uma oportunidade para que se volte a pensar na produção local de componentes utilizados na atividade produtiva do setor.

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