D2D aproxima satélites do celular, mas casamento ainda tem desafios

Um tema importante em debate durante a Satellite 2024, principal evento de satélites dos Estados Unidos que acontece esta semana em Washington, é a convergência entre redes satelitais e as redes móveis.

Backhaul de redes terrestres de 4G e 5G já é há muito tempo uma das prioridades das empresas de satélite, mas nos últimos anos o mercado de comunicação direta entre dispositivos e satélites (D2D) ganhou corpo. E o pano de fundo é o disputado mercado de IoT e serviços de emergência, mas com potencial de evolução para a banda larga via satélite direta ao dispositivo num futuro mais distante.

Hoje três caminhos se desenham nesse contexto:

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  • o das empresas que querem fazer essa comunicação direta com soluções proprietárias, como é o caso da Globalstar/Apple, que utilizam o CDMA para fazer as transmissões;
  • empresas como a Starlink  e a AST, que seguem a padronização do 3GPP para redes não-terrestres (NTN) mas utilizam espectro dedicado às operadoras de celular;
  • e empresas comprometidas com a adoção de tecnologias padronizadas pelo 3GPP mas em espectro já alocado para serviços de satélite (banda L e banda S), como é o caso da Viasat/Inmarsat, Iridium, SatelIOT e Omnispace. Parte destas empresas inclusive se congregaram na associação Mobile Satellite Association (MSSA).

Mas as grandes operadoras de satélite mostram que o caminho da convergência entre mundo terrestre e espaço é inevitável. A Echostar talvez seja o melhor exemplo, já que é uma operadora móvel, totalmente baseada em OpenRAN, que tem a Hughes como braço de operação via satélite. "Somos 5G e somos satélite e nossa expectativa é uma convergência tecnológica entre os dois mundos", disse durante a Satellite 2024 o seu CEO, Hamid Akhavan.

Para Mark Dankberg, CEO da Viasat, "a aquisição da Inmarsat nos levou a um patamar global, além de nos dar um portfólio gigante de banda L, o que é especialmente interessante para M2M, governos e redes terrestres. Espectro é uma das coisas mais importantes hoje (para uma empresa de satélites). O caminho é a comunicação 'seamless roaming', e para viabilizar precisa de satélite", diz ele, que completa. "Certamente veremos uma convergência com as redes terrestres, ainda que falte muito a ser feito".

Para Dankberg, ainda há uma questão de diferenças substanciais de preços entre o mundo satelital e o mundo 5G, "e também em velocidade". Outro desafio para as empresas de satélite, diz ele, é que mesmo que se tenha uma cobertura global, a demanda está onde as pessoas estão, e as chances de haver concorrentes terrestres é boa. "Colocar a nossa cobertura focada onde estão as pessoas mas não há cobertura é um grande desafio", diz.

Matt Desch, CEO da Iridium, diz que o setor de satélites ainda é "uma indústria muito pequena em comparação com as empresas de telecomunicações" e que são setores que pensam de forma distinta. "Temos abordagens diferentes, e mesmo no D2D ainda temos divergências, pois o capital necessário para construir constelações ainda é muito alto e não sabemos quanto D2D vai render", disse, cauteloso.

"O acordo da T-Mobile e Starlink não tem dinheiro, e isso não faz sentido", disse ele, em referência à parceria entre a operadora móvel e a Starlink.

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