Mercado de satélites vê grande demanda, mas tem ressalvas sobre modelos

CEOs das principais operadoras de satélites falam na abertura da Satellite 2024

As principais lideranças do mercado de satélites mostraram visões em geral otimistas em relação à demanda pela conectividade via satélite durante a Satellite 2024, sobretudo em áreas não conectadas. Mas existe uma expectativa de ajustes no mercado. O evento acontece esta semana em Washington e é o principal encontro do mercado de satélites dos Estados Unidos.

Durante a sessão de abertura da Satellite 2024, a empresa mais entusiasmada era, como se poderia esperar, a Starlink. Para a  CEO da SpaceX (que controla a operação da Starlink), Gwynne Shotwell, o setor de satélites tem um espaço a crescer independente da competição do 5G e com a fibra.

"Sempre pensei que a nossa capacidade é complementar às telcos e à fibra. Nosso foco sempre foi nas áreas rurais. Podemos até ter uma certa competição em outras localidades, mas o mercado é grande o bastante para todos. Muitas pessoas não têm Internet, e muitas que têm, ainda não têm com qualidade. Vejo um mercado gigante. Ainda precisamos aprender sobre quais são os pacotes corretos, mas hoje estamos vendendo tudo o que conseguimos produzir", disse a executiva.

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Adel Al Saleh, presidente da SES, foi um pouco mais cauteloso. "Temos espaço para todos os players, mas temos que pensar em escala, preço e soluções complexas. Precisamos ter os players certos no mercado", disse ele, indicando uma visão de que o mercado terá consolidações.

Daniel Goldberg, CEO da Telesat, tem uma leitura otimista, mesmo com os recorrentes problemas de atrasos que a empresa canadense sofreu no seu planejamento da constelação de órbita baixa Lightspeed, agora prevista para 2027.

"Teremos 198 satélites. É suficiente [para brigar com outras constelações] e nos dá terabytes de capacidade para as diferentes verticais que estamos focados. Não precisa parar por aí, a questão é quanto vai ter de demanda e quanto conseguimos capturar. Em relação ao atraso, a Lightspeed vai sair cedo ou tarde. É um mercado gigante, e mesmo daqui a alguns anos ainda será muito grande quando chegarmos lá", disse ele.

Goldberg não perdeu a oportunidade, contudo, de alfinetar sua concorrente de mesa. "A Starlink abre novos mercados mas também canibaliza alguns dos espaços que a gente atua. Mas ela nos mostra que os clientes querem outras coisas. Agora é ouvir e melhorar, para trazer a nova expectativa para o mercado", disse.

Para Eva Berneke, CEO da Eutelsat, a demanda por capacidade via satélite só irá aumentar. "Como vamos planejar a nossa capacidade é o grande desafio, e temos que assegurar a continuidade dos serviços prestados", disse ela. A Eutelsat está especialmente preocupada agora em redimensionar e contratar a segunda geração de satélites da OneWeb, que entra no mercado com uma capacidade de entrega inferior às das outras concorrentes em órbita baixa, por ter se originado do projeto mais antigo de uma constelação LEO.

Para o CEO da Astranis, John Gedmark, o grande desafio da indústria ainda é conectar quem ainda está desconectado. "Nos novos parâmetros de preço, temos uma demanda ilimitada. Por isso acredito na criação de redes privativas via satélite", diz ele.

A Astranis é uma entrante no mercado e aposta em satélites de pequeno porte geoestacionários, e seu modelo de negócio é vender essa capacidade para acesso rápido ao espaço. Um dos focos principais da empresa é acordos com governo para inclusão digital.

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