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Estratégias do 5G na TIM e na Vivo passam por varejo, adensamento e retenção do usuário na rede

Representantes da Huawei, Vivo, KPMG, EAF e TIM no painel do Teletime TEC. Foto: Izilda França/TELETIME

O avanço da cobertura 5G no Brasil, nesse período inicial, foi acima do que foi inicialmente previsto no edital das faixas de frequência. Por isso, o mercado nacional de quinta geração já começa a mostrar sinais de amadurecimento, conforme avaliaram os painelistas do  Teletime TEC – 5G & Wireless, evento organizado por este noticiário nesta terça-feira, 18, em São Paulo. Assim, o segundo passo na estratégia de expansão já começa começa a tomar forma na TIM e na Vivo.

A TIM conta com 4,5 mil sites habilitados com a tecnologia, que está presente em “mais de 55 cidades”, segundo o CMO Paulo Esperandio. Agora com mais municípios liberados para uso da faixa de 3,5 GHz, a estratégia da operadora vai além das metas do edital, e passam a considerar o modelo de negócio. “O trabalho da EAF abre caminho, mas obviamente, todo o mercado, e a TIM em particular, tem tratado a possibilidade de liberação com cunho absolutamente estratégico em relação à abordagem comercial“, explica o executivo. A empresa agora busca fazer o adensamento de antenas em lugares com alta quantidade populacional. O objetivo é “entregar experiências contínuas em 5G em algumas cidades e locais estratégicos, como São Paulo, Curitiba e Recife”, diz. Com o tempo, ele espera fragmentar menos a cobertura dispersa, enquanto também vai entrando nos mercados liberados. 

Na visão de Esperandio, o desafio para ampliar a adoção do consumidor final envolve a evolução do ecossistema antes mesmo de chegar à “aplicação matadora” (killer application) esperada pela indústria para alavancar a adoção do 5G. O executivo afirma que, atualmente, na TIM, 80% dos dispositivos suportam a tecnologia. Mas essa não é a realidade no comércio em geral, que responde por 85% das vendas de smartphones no Brasil, mas só tem participação da quinta geração de 15% dos dispositivos. “A aceleração dentro do varejo no mundo 5G ajudaria todo mundo a aumentar a penetração. Ela pode ser fomentada em política pública ou, eventualmente, até com a iniciativa privada”, sugere. 

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Maria Claudia Ornellas, diretora de transformação e experiência do cliente da Vivo, diz que o usuário sente a diferença com o 5G, mas que a estratégia tem outro viés: o de valorizar a conectividade. “Chegamos a ver que quem está muito satisfeito aumenta o tempo de permanência [na rede] entre duas a três vezes mais, e isso independente da tecnologia“, afirma. “Para nós já é um benefício enorme entregar experiência porque isso traz, sim, resultado imediato para o nosso negócio.” 

Ornellas explica que, nesse contexto, a estratégia da Vivo para a expansão é a de “entender muito a característica da região, do cliente, consumo e percentual de adoção de terminal compatível”. Atualmente, a operadora conta com 5G em 58 cidades, agora começando a ligar a tecnologia em municípios acima de 200 mil habitantes. 

Cobertura

“Em relação às metas de cobertura, as operadoras estão com nota 10, pois já cobriram 100% das capitais em 2022 e hoje já cumprem 98% das metas para 2023. Para extrapolar para 2024, metade das obrigação já estão cumpridas”, declarou o diretor de soluções da Huawei, Carlos Roseiro. Segundo levantamento feito por ele, 33% dos sites das operadoras em capitais já são 5G, o que ele avalia como “excelente”, apesar de considerar que 80% seria o ideal para que o usuário consiga utilizar a rede por toda a cidade. 

Dados globais da Huawei mostram também que há razão para otimismo no mercado para clientes finais. “Em média, as operadoras que lançaram o 5G têm receita 4 pontos percentuais superior às que não lançaram. E, de fato, aceleram a receita principalmente quando atingem 20% da base migrada para o 5G. As operadoras estão conseguindo migrar, extrair um pouco mais de valor, porque a killer application é a experiência”, afirma Roseiro.

Além disso, há os ganhos para a operação. Segundo o diretor da Huawei, quando o tráfego migra mais do que 30% para o 5G, o tráfego de 4G começa a cair, e isso libera a operadora a concentrar aportes na nova tecnologia. “E, com isso, elas têm muito mais eficiência do Capex, e o Opex é muito inferior, com 1/10 do consumo de gigabyte por energia.”

Sinais de maturidade

Head de TMT da KPMG, Marcio Kanamaru, acredita que as operadoras brasileiras já estão em um grau de maturidade avançado, utilizando “de maneira inteligente” os dados como “fonte importante de retroalimentação e interpretação de sinais do cliente”. E isso se reflete na expansão do 5G, ainda que mundialmente a consultoria não tenha enxergado um modelo de monetização que sirva como um norte para as empresas. “No Brasil, vejo as operadoras com apetite para o risco e investimento. Elas têm sido muito atentas em ouvir os sinais baseados em analytics, consumo de dados e equipamento”, coloca. 

Mas há o problema da demanda. Segundo a KPMG, mais de 40% dos brasileiros não têm interesse em pagar um preço premium pelo 5G. “Ainda não existe um killer app. Existem tendências em processo de maturação, como metaverso e com cloud gaming, mas ainda existe a questão de que investidores têm colocado pressão a respeito do que seria a monetização do 5G”, analisa Kanamaru. 

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