Portugal Telecom adere à campanha pela redução de tributos

O presidente executivo da Portugal Telecom, Zeinal Bava, está em visita ao Brasil e encontrou-se nesta quinta-feira, 16, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na pauta da empresa, a intenção de reforçar ao presidente a intenção de investir "por longo prazo" no país e colocar-se à disposição de programas com cunho social envolvendo a expansão da banda larga. Mas o encontro não foi apenas de declarações positivas sobre a política estratégica da companhia para o Brasil.
A alta carga tributária, tema que tornou-se recorrente nas telecomunicações, também surgiu no encontro. Sem antecipar em que termos foi concluída a conversa sobre impostos, Bava disse ter sugerido uma "redistribuição da carga tributária", atualmente de cerca de 44%.
Para o empresário, a desoneração é fundamental para o sucesso de programas de expansão da Internet. Bava acredita se possível um tratamento diferenciado para as telecomunicações no pacote de impostos e citou como exemplo de políticas tributárias específicas o bem sucedido tratamento dado à "linha branca" de eletrodomésticos – que inclui fogões, geladeiras e afins. Este ramo conta com uma redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

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Banda larga nas escolas
Após o encontro com Lula, o presidente da Portugal Telecom mostrou-se disposto a colaborar com o projeto de expansão da banda larga promovido no Brasil. O governo está nos acertos finais para definir a segunda etapa do projeto, inserindo as operadoras móveis no Banda Larga nas Escolas, com foco nas áreas rurais.
Bava citou a experiência que a PT têm em Portugal com programas desse tipo e garantiu que a Vivo vai colaborar. "Eu penso que todos os projetos sociais são projetos que empresas com o porte da Vivo tem que atender ao chamamento", afirmou. "É possível colocar o Brasil na linha de frente da oferta de banda larga."
Controle da Vivo
O assunto mais espinhoso envolvendo as operações da PT no Brasil também ficou sem respostas claras da companhia. Bava não quis comentar a possibilidade de a PT assumir plenamente o controle da Vivo em caso de uma eventual saída da Telefônica. Mas, ao menos o executivo demonstrou a intenção de manter sua parte no comando da operadora celular. Bava repetiu diversas vezes em sua coletiva à imprensa que a "presença da Portugal Telecom no Brasil é de longuíssimo prazo".
"Nós estamos muito satisfeitos com os investimentos na Vivo", afirmou o executivo. A estratégia da operadora de "duplicar" sua rede para entrar na oferta GSM foi rememorada por Bava e considerada um sucesso. "Nenhuma empresa teve que fazer isso, mudar já com 27 milhões, 28 milhões de clientes. Nós temos muito orgulho da diretoria da Vivo". Atualmente, os clientes em GSM já representam 72% da base total da empresa.
Bava sugeriu que os investimentos feitos para a entrada no GSM ainda não foram recuperados pela companhia. "Telecomunicações é um setor de investimentos intensivo e o playback é de longo prazo", comentou. Quando questionado se a PT ficará na Vivo até recuperar todo o investimento feito, Bava apenas sorriu e não deu maiores detalhes da estratégia. Outro "segredo" é se a empresa tem planos de adquirir outras companhias brasileiras de telecomunicações. Bava esquivou-se do assunto, afirmando que empresas com a ações na bolsa de valores não devem "ficar falando", mas apenas agir, quando for o caso.
O executivo também minimizou as relações entre Telefônica e Telecom Itália, que podem fazer com que a operadora espanhola um dia deixe a sociedade com a PT. "O tema 'Telefônica/Telecom Itália' é um tema entre a Telefônica e a Telecom Itália", afirmou. "É um tema que não envolve a Vivo."
Descontração
Os planos reafirmados à Lula foram de manter o investimento anunciado de R$ 2,6 bilhões no Brasil – apesar da crise mundial – e assegurar que as operações da PT estão amparadas no "tripé Portugal-África-Brasil". Além disso, a empresa espera aumentar sua presença no mundo nos próximos três anos, saindo dos 72 milhões de clientes atuais e chegando a 100 milhões. A PT também quer expandir suas operações fora de Portugal, que hoje respondem por 50% do resultado total da empresa. A idéia é elevar esse índice para 66%.
Mas o encontro com Lula não foi apenas para a apresentação de dados econômicos sobre a PT no Brasil e no mundo. Houve um momento de descontração já que Bava resolveu usar a "tática" de Lula de conquistar seus interlocutores com regalos relacionados ao futebol. O executivo levou duas camisetas para o presidente da República: uma do atacante Cristiano Ronaldo na Seleção Portuguesa e outra do jogador Eusébio da Silva Ferreira, o "Pantera Negra", considerado um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempo. Segundo Bava, a intenção com os presente é que Lula "lembre dessa nossa visita".

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