Aumento nos pagamentos reduz caixa da Oi em janeiro

No relatório referente a janeiro deste ano, o administrador judicial (AJ) da Oi (assessoria empresarial PricewaterhouseCoopers e o escritório de advocacia Arnoldo Wald) mostraram que a empresa apresentou geração de caixa negativa no mês devido ao aumento de pagamentos. Porém, o documento divulgado na noite da quarta-feira, 15, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), não mostra as mesmas informações dos relatórios anteriores, uma vez que o relatório do último trimestre e consolidado de 2016 da companhia ainda deve ser divulgado na próxima semana. 

A geração de caixa em janeiro deste ano apresentou resultado negativo de R$ 153 milhões. Assim, o saldo final do caixa era de R$ 7,095 bilhões no final daquele mês, variação 2,73% menor do que o saldo final em dezembro. A empresa justifica com aumento de pagamentos para prestadoras de serviços coligadas (Serede, BrT Call Center, Conecta e IG) e queda nos recebimentos por conta de sazonalidade (como pagamentos de impostos). Alega ainda que dezembro foi "um mês particularmente bom, devido aos esforços de cobrança realizados nas linhas de pós-pago", e por isso houve uma queda de 12% nos recebimentos de clientes em janeiro, ficando em R$ 1,874 bilhão. A administração da companhia espera que o fluxo de caixa apresente uma recuperação a partir de março.

A Oi investiu em janeiro R$ 18 milhões a mais do que no mês anterior, somando R$ 261 milhões, justificados como "em linha com o planejamento mensal de Capex". O relatório mostra que houve um aumento "substancial" de R$ 466 milhões na linha de pagamentos, que totalizou R$ 1,640 bilhão em janeiro.

Por sua vez, a lista de credores apresentada neste mês não apresentou variação em relação ao relatório referente a dezembro. No total, com data de 20 de setembro do ano passado, são 65,1 mil credores, sendo 28,4 mil em moeda nacional e 36,7 mil em moeda estrangeira. A maior parte (60,5 mil) são dos credores quirografários, classe na qual se inclui a dívida da Anatel e de fornecedores.

Balanços

O administrador protocolou em 9 de fevereiro uma petição junto ao Juízo  de Direito da 7ª Vara Empresarial da Comarca do Capital do Rio de Janeiro demonstrando "preocupação" com a divulgação antecipada de informações financeiras que "poderiam estar inconsistentes", uma vez que a auditoria do relatório financeiro referente a 2016 ainda não foi concluída. O Juízo deferiu a petição no dia 17 do mesmo mês e, por isso, o relatório executivo não apresentou balanços patrimoniais consolidados das recuperandas e nem as demonstrações de resultados mensais consolidados. Assim que a Oi divulgar seu balanço no próximo dia 22, o AJ voltará a comentar sobre o período findado em dezembro do ano passado.

Nas ressalvas, os auditores externos da Oi, a KPMG Auditores Independentes, fizeram atualizações no balanço da companhia do terceiro trimestre do ano passado. Além dos saldos do ativo não circulante e do patrimônio líquido foram apresentados com redução de R$ 5,492 bilhões. Adicionalmente, o prejuízo do terceiro trimestre e dos nove meses acumulados estaria diminuído em R$ 163,5 milhões e R$ 500,5 milhões, respectivamente. A administração da Oi apresentou uma consulta técnica à CVM sobre a política contábil adotada, que ainda esta em análise.

Incertezas

O administrador judicial ressalta que o plano de recuperação da companhia ainda está sendo questionado, e, por conta disso, "mesmo considerando a observância aos correspondentes requisitos legais, existem ainda incertezas significativas com relação à aprovação do Plano no âmbito do processo de recuperação judicial, e portanto não é possível determinar nesse momento qual será o desfecho desse assunto, seus impactos sobre as informações contábeis intermediárias individuais e consolidadas, bem como, se a entidade será capaz de realizar os seus ativos e liquidar os seus passivos no curso normal dos negócios". Por conta das incertezas, o AJ não expressa conclusão sobre as informações contábeis intermediárias.

O AJ afirma ter feito triagem de mais de 4 mil mensagens recebidas pelo canal criado para manifestações na extensão da fase administrativa. Em paralelo, a entidade iniciou o processo de exame das habilitações judiciais que foram convertidas em administrativas, além de mais de 1,5 mil habilitações e divergências intempestivas recebidas diretamente pelo administrador judicial. A entidade tem se reunido semanalmente com a companhia para esclarecer questões relevantes e recebeu cerca de 47 mil solicitações feitas pelas devedoras, sendo 40 mil de novos credores e 7 mil com retificações.

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