Velocidade é chave na briga do mercado de fibra, diz presidente da Oi

CEO da Oi, Rodrigo Abreu

A estratégia de preço do serviço de banda larga fixa, incluindo a fibra até a residência (FTTH), não permite agressividade a ponto de haver uma guerra de preços como na móvel. Segundo avaliação do presidente da Oi, Rodrigo Abreu, as condições são diferentes, já que envolvem investimentos de instalação, equipamentos e da manutenção do serviço. "Não é como na móvel, em que se compra o SIMcard na loja", comparou ele durante teleconferência de resultados nesta sexta, 13. 

Mas há uma forma de a Oi disputar na banda larga fixa. A companhia tem como centro da estratégia a fibra, e aposta que os consumidores reconhecerão os benefícios que a tecnologia em si permite em relação ao cobre e até mesmo ao cabo coaxial. Sobretudo, há o apelo da velocidade.

"Para usuários que ainda precisam de razões para mudar: na nossa visão, é claro que deveria migrar de 120 Mbps [no cabo] para 200 Mbps [na fibra], por que é melhor. Mas quando ele vê que pode ir para 400 Mbps ou além, a mudança fica mais atrativa e clara", destaca. Além disso, há o potencial maior com a base de maior valor/retorno.

A participação dessa oferta de 400 Mbps em particular aumentou no comparativo de trimestres consecutivos. A base era apenas 1% do total de FTTH até junho, e agora já é 5%. As outras ofertas são 100 e 200 Mbps. A receita média por usuário de fibra avançou 3,3% no mesmo período, e agora é de R$ 88.

Tecnologia

A avaliação de Abreu é que o FTTH teria uma vantagem competitiva "muito maior" em relação às tecnologias coaxial e cobre. Neste último caso, a própria Oi tem engajado uma estratégia de migração do cliente do FTTc para a fibra. 

Existe ainda o potencial da infraestrutura que suporta o FTTH. "Fibra não é só o que vai para a casa, mas também como todo o tráfego é gerado no core, backbone e backhaul. Acreditamos nessa infraestrutura em todo o País, e não temos as restrições que a maioria dos players locais têm."

Apesar de competir com provedores regionais nessa mesma tecnologia, o backbone e backhaul da Oi também tem capacidade vendida no atacado. Entre julho e setembro, as vendas para as PPPs aumentaram 34,7% comparado ao segundo trimestre, e 398,6% comparado ao terceiro trimestre de 2019.

A Oi espera fechar o ano com algo entre 8,6 e 8,8 milhões de homes passed, enquanto as casas conectadas deverão ficar entre 2 e 2,2 milhões. Com a separação industrial da InfraCo, a expectativa da operadora é que o mercado "alcançável" é de quase 40 milhões de residências, e a meta é chegar a 30 milhões delas. "Estamos a menos de um terço de chegar lá", declara Abreu. 

DTH

Apesar do foco no FTTH, a oferta de TV por assinatura via satélite mostrou um aumento no terceiro trimestre de 2020, passando de R$ 371 milhões no trimestre anterior para R$ 375 milhões (ou 23% da receita residencial). Rodrigo Abreu explica que esse resultado não significa que há uma estratégia de captura para eventual migração para o IPTV na fibra, mas sim um efeito da maior cobertura da tecnologia. "O que fazemos para sustentar o desempenho positivo é com relacionamento próximo com parceiros instaladores e companhias que estão nos ajudando a trabalhar na eletrônica dos set-top boxes."

"O DTH começa [a comercialização] por si, e ajuda na nossa presença local em quase todo o País e com a abordagem de vendas, pois podemos expandir até em áreas onde não há opções de fibra ou cabo. É um pouco mais resiliente", comenta o executivo. "Mas quando se vê o futuro, a tendência estrutural, tanto no Brasil quanto no mundo, é que o DTH provavelmente vai cair", diz. "Vemos que essa migração [para o satélite] será negativa no longo prazo, mas vai ser positivo para a fibra e o streaming." Vale lembrar que a Oi pretende vender a operação de TV por assinatura.

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