SindiTelebrasil rebate na Câmara acusações de maior preço do mundo

Alexander Castro, diretor do SindiTelebrasil, explicou nesta quarta, 13, aos deputados da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados porque a União Internacional de Telecomunicações (UIT) elencou o Brasil como o País onde o serviço móvel é mais caro.

Segundo ele, há uma distorção, já que a UIT tem que adotar critérios que sejam aplicados a todos os países, o que é "bom para alguns países e ruim para outros". Como se sabe, a UIT considera os valores do minuto dos planos básicos homologados na Anatel. Entretanto, na prática, explica Castro, os valores comercializados pelas empresas são muito menores.

Além disso, a cesta de produtos considerada pela UIT não reflete o perfil de uso que o brasileiro faz da telefonia celular. A cesta da UIT tem 30 chamadas, das quais 17% são para telefones fixos, 56% on-net e 26% off-net. Na prática, explica ele, 80% do tráfego é on-net e não 56%, como considerado pela UIT. Já as chamadas off-net correspondem a 12% do total, e não 26% como considerado pela UIT. E, por fim, as chamadas para telefones fixos são de apenas 8%, e não os 17% considerados na cesta da UIT.

O resultado dessa "distorção", segundo Castro, é que para a UIT o minuto médio no Brasil é de US$ 0,71, quando na prática normal do mercado, esse minuto custa R$ 0,08.

A explicação do executivo, entretanto, não convenceu, por exemplo, o deputado José Antônio Reguffe (PDT-DF). Ele trouxe dados de uma "consultoria europeia", segundo os quais o custo médio do minuto de celular no Brasil seria de 24 centavos de dólar, enquanto que no México, no Egito e na Rússia é de 5 centavos de dólar. "Então a UIT teria colocado dez vez mais (em relação ao preço médio informado pelas teles); é difícil entender que um órgão das Nações Unidas tenha errado tanto assim", afirma ele.

O representante da Vivo/Telefônica, Enylson Camolesi, ressalta que o custo do celular vem caindo, num cenário em que há um aumento do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). "Importante dizer que o preço no Brasil vem caindo. O preço não acompanhou o IPCA. Podemos dizer que o setor de telecom não contribuiu para a inflação".

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