(In)verdades em torno do 5G

Jayro Navarro Junior, Diretor de Contas de Telecomunicações da Intel

O surgimento de novas tecnologias sempre causa temores; tem sido assim desde que as primeiras grandes invenções nasceram. Mesmo com o avanço tecnológico progressivo, ainda há quem acredite em alguns mitos criados em torno do novo. A próxima geração de rede móvel, 5G, não tem escapado de ondas de inverdades e, com isso, muita desinformação tem sido disseminada. Uma delas, que surgiu em várias partes do mundo, é a de que, com a sua chegada, os celulares farão mal à saúde por conta da exposição do corpo humano à radiação de ondas eletromagnéticas.

No Brasil não tem sido diferente. Em Santa Catarina, um projeto de lei (0241.5/2019) quer proibir o desenvolvimento do 5G no estado devido aos supostos perigos causados pela tecnologia por prejudicar a saúde de humanos e animais, inclusive exterminando certas espécies, como as abelhas. Esses são apenas alguns exemplos de mitos que vêm sendo divulgados mundo afora. Ainda sem data certa para chegar ao país, é preciso começar a pensar nos benefícios que a tecnologia trará e desmitificar tudo aquilo que surge sobre a inovação. A tecnologia 5G será uma revolução nas redes de telefonia móvel e mudará a dinâmica do ambiente digital trazendo novas aplicações e redes sem fio mais poderosas que conectam "coisas" umas às outras, às pessoas e à nuvem.

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Essas divagações vêm de anos e o tempo – e estudos – comprovam suas inverdades. Uma velha frase diz que "o mundo é cíclico" e, mais uma vez, esta história se repete desde o lançamento do sistema celular, que gerou uma polêmica de que o aparelho nos colocaria "dentro de um forno micro-ondas" e iríamos fritar o cérebro. Como vimos e vivemos, isto não aconteceu e estamos aqui utilizando cada vez mais as tecnologias móveis e seus avanços, de 2G para 3G, 4G, 4.5G e etc. Entidades como FCC, IEEE, ITU-T, dentre outras, fazem testes antes de liberarem o uso de novas gerações/frequências para garantir e assegurar o uso destas novas tecnologias.

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, uma chuva de"fake news" invadiu a internet e os celulares. Uma envolvendo o 5G tomou uma grande proporção e consequências inimagináveis. As mensagens diziam que as redes de telefonia da nova tecnologia propagam o coronavírus e diminuem a imunidade das pessoas, facilitando a infecção e turbinando a pandemia. Afirmavam ainda que o aumento de casos estava ligado diretamente à maior concentração de antenas e que estava em curso um plano de dominação para uma nova ordem mundial. Como consequência, no Reino Unido, torres da rede 5G foram queimadas após a divulgação dessas notícias.

O que ficou comprovado é que não há nenhum tipo de malefício gerado pelas ondas de celulares. Vale ainda citar o caso dos pássaros que morreram na Austrália que, posteriormente, foi constatado que não havia nenhum tipo de relação com o 5G. Outro absurdo que vem sendo disseminado é sobre a capacidade de propagação da COVID-19 nas ondas das frequências que estão reservadas para o 5G, o que não faz sentido tendo em vista que o vírus se propaga no ar e não em ondas de rádio. Os únicos vírus que podem ser passados pelo rádio são os de computador (informação) que não tem nada a ver com os de doenças humanas.

É preciso fazer o pensamento reverso: o 5G poderia ser um forte aliado no combate à pandemia, já que a tecnologia tem um menor tempo de resposta e é mais eficiente do que o 4G. Se já tivéssemos disponível, com certeza poderíamos utilizá-la em Telemedicina para atendimentos remotos. Por outro lado, não bastaria o 5G, ele seria só o 'meio', mas a falta de políticas públicas impede que tenhamos o seu uso.

* – Sobre o Autor:  Jayro Navarro Junior é Diretor de Contas de Telecomunicações da Intel

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