Capex para o Brasil poderá ser menor em 2015, alerta AMX

A América Móvil (AMX) poderá destinar menos investimentos ao Brasil neste ano, a depender do desempenho da própria economia brasileira. Em conferência para analistas nesta quarta-feira, 11, o CEO da companhia, Daniel Raaj, disse que há um acompanhamento do que está acontecendo no mercado, prevendo um desaquecimento. A expectativa do grupo mexicano, que no País controla Claro, Embratel e Net, é que poderá haver uma variação de 5% para mais ou para menos em torno dos mesmos US$ 10 bilhões destinados em 2014 para os investimentos em toda a sua operação na América Latina e na Telekom Austria, o que impacta também o negócio brasileiro.

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"No Brasil, economicamente, parece que haverá um desaquecimento neste ano, mas vamos estar muito próximos ao mercado e vamos ver se continuaremos a ter crescimento; se vamos continuar a investir mais lá ou se teremos desaceleração de ganho líquido, que pode reduzir um pouco o Capex", disse Raaj. Ele explica que os investimentos dependem das vendas – se houver mais receita, naturalmente isso se reverterá em maior Capex.

Apesar de quase dois terços das receitas do grupo no Brasil em 2014 terem vindo de negócios fixos, o executivo mostra otimismo com as operações da Claro para este ano, em especial por conta das oportunidades de melhor receita com dados. "O mercado wireless tem sido forte, estamos migrando muitos featurephones para smartphones, então estamos caminhando a um bom passo", declara.

Outro ponto positivo é a oportunidade de melhorar a companhia operacionalmente por conta da integração dos negócios da Claro, Net e Embratel, operação finalizada no último trimestre do ano passado. Para permitir tal integração, parte das economias que serão conseguidas com a melhor eficiência operacional será repassada a clientes, e outra parte será destinada a impostos. "Achamos que é muito importante em todas as maneiras, não só nas economias, mas na forma como vamos operar. Nos próximos dois ou três anos, você verá uma companhia mais eficiente e integrada", declara Raaj.

"Posso ver que no Brasil nos sentimos confortáveis, e o que investimos nos últimos três anos você pode ver em resultados em banda larga, fixa e TV, e o móvel tem ganhado tração no mercado", explica o CEO. A estratégia tem se mostrado acertada: segundo o executivo, 54% de toda a base da América Móvil no País é triple-play, e a companhia tem promovido também as vendas do negócio móvel para aumentar a participação de clientes quad-play.

A economia, no entanto, é uma preocupação concreta. Segundo o CFO da AMX, Carlos Garcia Moreno, as expectativas do mercado para crescimento do PIB brasileiro em 2015 é de zero ou abaixo de 1%. "Estamos olhando com atenção o mercado, respeitamos o fato de que a economia parece estar fraca, mas a nossa posição competitiva é forte e temos nos fortalecido por conta de nossos investimentos, que continuamos a fazer", destaca.

Resultado

A receita da América Móvil no Brasil no quarto trimestre foi de R$ 9,285 bilhões, aumento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2013. No acumulado do ano, a empresa registrou R$ 35,603 bilhões, aumento de 7,2%.

Nos últimos três meses de 2014, a Claro mostrou queda de 2,1% na receita, totalizando R$ 3,593 bilhões. No ano, por outro lado, houve aumento de 2,7%, total de R$ 13,305 bilhões. As receitas fixas geraram receita de R$ 6,099 bilhões (aumento de 9,3%) e R$ 23,532 bilhões (crescimento de 10,6%) no trimestre e no ano, respectivamente.

A companhia explica que, embora os cortes nas taxas de VU-M tenham impactado a receita bruta, isso gerou um impacto "ainda maior em nossos pagamentos para outras redes". Dessa forma, a receita líquida de interconexão aumentou 29% em relação a 2013.

A receita antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBTIDA) totalizou R$ 2,314 bilhões no trimestre, aumento de 6,5%. No acumulado do ano, totalizou R$ 9,001 bilhões, crescimento de 14,3%. A margem EBTIDA em relação à receita total no trimestre foi de 24,9%, contra 24,7% no ano anterior. No ano, a margem foi de 25,3% contra 23,7%.

Operacional

A AMX encerrou 2014 com 107,2 milhões de acessos, 5,7% mais do que no ano anterior. Desses, 71,1 milhões foram de acessos móveis, crescimento de 3,5% anualmente, com o segmento pós-pago aumentando 9,3% e totalizando 15,652 milhões de linhas. Segundo a empresa, um terço do crescimento líquido no mercado móvel (cerca de um milhão de acessos) foram de pós-pagos. Ainda assim, os acessos pré-pagos continuam sendo a maioria: 55,455 milhões, aumento de 2%.

As unidades geradoras de receita (UGR) do mercado fixo aumentaram 10,4% e totalizaram 36,1 milhões. Destaque para o crescimento de 13,6% nos acessos de banda larga, 10,4% na TV paga e 8,7% nas linhas de telefonia fixa. Houve uma queda no churn (taxa de fuga de usuários) de 0,4 ponto percentual, fechando o ano em 3,2%. Mas houve recuo também nos minutos de uso (MOU) de 10,6%, total de 123; e na receita média por usuário, que fechou o ano em R$ 15, 4,4% menos do que em 2013.

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