Avanços em direção a redes LTE privadas para utilities

Ronaldo Santarem, Vice-presidente da UTCAL

A necessidade de um espectro de frequências dedicado para que o 5G permita melhorias nas soluções de conectividade existentes e novas aplicações em ambientes produtivos mobiliza setores industriais no Brasil e no mundo.

O advento da nova geração de telefonia móvel deu destaque a pautas antigas, como a cobertura em áreas remotas, e é preciso que o órgão regulador contemple essas demandas no leilão de frequências do 5G.

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Quando se considera que as definições do leilão ficarão em vigor por 20 anos, prorrogáveis por mais 20, essa necessidade se torna mais urgente. Não atender a demandas sinalizadas por diversos setores importantes da nossa economia pode resultar em atrasos ainda maiores na corrida para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Voltando o olhar para as utilities ou serviços que possuem maiores níveis de criticidade, soluções confiáveis de radiocomunicação são fundamentais na operação, monitoramento e controle de ativos. Com um volume crescente de dispositivos conectados, somente redes privadas podem garantir a disponibilidade exigida para as operações dessas empresas.

Utilities brasileiras, há anos, vêm lidando com essa questão. Enquanto não há definições sobre a faixa de  450 – 470 MHz, judicializada pelas operadoras de telefonia, há casos de uso da faixa de 225 – 270 MHz.

Outros países avançam nessa pauta, com focos semelhantes e exemplos de operações utilizando faixas de frequências abaixo de 1 GHz – espectro ideal para oferecer resiliência e cobertura geográfica exigidos.

Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comunicação (FCC) aprovou, em maio, o uso de 6 GHz no espectro de 900 MHz para redes privadas no setor público. Concessionárias norte-americanas de energia elétrica, ao lado de entidades representativas, apresentaram aos reguladores sugestões sobre o uso da faixa de 406,1 – 420 MHz.

Na Irlanda, os avanços envolvem o uso de blocos de 2 x 4 MHz para LTE na faixa de 410-430 MHz, aberta em licitação. Ainda na Europa, empresas alemãs contribuem propondo uma reserva nas frequências 451- 455,4 MHz / 461 – 465, 4 MHz, cujo uso atual definido pelo regulador expira em 2020. Seja na Polônia ou em Portugal – este último, com a faixa de 400 MHz possivelmente alocada para serviços de utilidade pública –, são diversos movimentos nessa direção no continente europeu.

No Oriente Médio, podemos destacar o exemplo de Bahrein, com 2 x 1,4 MHz na banda 410-430 MHz sendo destinados para uma rede nacional de serviços públicos.

Embora o setor de utilities no Brasil não esteja totalmente familiarizado com o mundo da regulamentação dos sistemas de comunicação por rádio, a UTC América Latina (UTCAL) está  abrindo os caminhos para uma representação mais ativa em organismos internacionais, como a Comissão de Telecomunicações Interamericanas (Citel), vinculada à OEA, e a União Internacional de Telecomunicações (ITU), vinculada à ONU. 

A UTCAL, associação sem fins lucrativos que dissemina informações sobre tecnologia e telecomunicações para missão crítica, vem apresentando pesquisas e relatórios com o intuito de mostrar a real necessidade, com destaque para o setor elétrico, de se ter redes privativas. Por meio de informativos, a UTCAL tem reunido atualizações do cenário global, como os passos mais recentes para implantação de redes LTE dedicadas no mundo, no primeiro semestre de 2020.

*Sobre o autor: Ronaldo Santarem é Vice-presidente da UTCAL

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