RNP estuda viabilidade técnica de backbone entre Brasil e Guiana em programa do MCTIC

Foto: Pixabay

A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) está realizando estudos de viabilidade técnica e de estratégia de negócio para interligar o Brasil à Guiana, melhorando a infraestrutura de telecomunicações na Região Norte. Segundo a organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), isso será feito por meio de uma conexão de fibra entre as cidades de Boa Vista e Georgetown

De acordo com a entidade, os recursos "foram oriundos da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado, com apoio do MCTIC". Porém, não foi divulgado o quanto dos recursos será utilizado para esse fim específico da rota, que não estava no planejamento inicial do governo para conectar a região. 

A ideia é melhorar a infraestrutura de telecom na Região Norte brasileira, no âmbito do "Programa Conecta Brasil, MCTIC Norte Conectado". Assim, prevê o desenvolvimento da infraestrutura de comunicações na região, especialmente em Roraima, contribuindo para ações de expansão do sistema RNP e de políticas públicas do governo federal.

Os principais aspectos do estudo são:

  • Avaliar as condições de infraestrutura existentes para a implantação do cabo ótico na rota pelas rodovias que interligam os dois países.
  • O trecho terrestre entre Boa Vista e Georgetown tem 682 km de distância.
  • A previsão de conclusão do estudo da RNP é de 90 dias, a partir das assinaturas de contrato com as empresas que prestarão os serviços. A organização não divulgou quais empresas teriam sido escolhidas, ou se ainda haverá um chamamento para esse projeto.
  • Em paralelo, a entidade realiza um estudo regulatório e negocial para avaliar possibilidades de parcerias com provedores de Internet e operadoras para "empreender na Guina uma estratégia de construção conjunta e compartilhamento de infraestrutura". Esses estudos, por sua vez, deverão ser concluídos em seis meses.

Saída no Norte

A escolha da Guiana se deu pela proximidade e pelo posicionamento estratégico do país, onde estão instaladas rotas internacionais por meio de cabos submarinos conectando a Fortaleza, no Brasil; Paramaribo, no Suriname; e a Porto de Espanha, em Trinidad e Tobago. 

"Com a construção de uma nova rota de Boa Vista a Georgetown, torna-se possível fechar um anel, a partir de Fortaleza até Belém, por diversas infraestruturas terrestres já existentes nas regiões Nordeste e Norte, como por exemplo o Linhão de Tucuruí, o que dá redundância e contingência à Amazônia Setentrional com saída pelo Oceano Atlântico", afirma a RNP.

Programa

De acordo com as diretrizes do Programa Conecta Brasil, anunciado formalmente em julho do ano passado pelo governo Jair Bolsonaro (mas já antecipado maio, conforme noticiado por TELETIME), o intuito seria a construção de um backbone na região da Amazonia, com previsão de 5 mil km para o tronco principal ao custo total de R$ 890 milhões (sendo R$ 350 milhões para o tronco principal) e com entrega prevista do último trecho para dezembro de 2023. Nas ramificações, eram previstas parcerias com provedores locais no Projeto Amazônia Integrada e Sustentável (PAIS). 

Em apresentação do MCTIC ao Senado Federal, o governo havia apresentado uma saída do Amapá à Guiana Francesa, mas não à Guiana. A rota em Roraima seria apenas interna, conectando Boa Vista a Novo Airão, um trecho de 741 km, e que chegaria depois a Manaus, onde seria linkado ao tronco principal.  

A expectativa do governo em março deste ano era de que os recursos para uma primeira etapa, interligando Macapá a Santarém (PA), fosse concluída até dezembro. Os recursos seriam de um esforço conjunto do MCTIC com as pastas de Educação, Saúde, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a bancada da região Norte no Senado. Nos trechos seguintes, recursos do Gired e a restituição de valores atrelados à Operação Lava Jato seriam as fontes planejadas, ainda que não haja garantia de liberação desses recursos até o momento. O programa do Nordeste Conectado já tem recursos garantidos pelo MCTIC.

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