Mourão nega haver intenção do Brasil banir a Huawei

Desde que o governo de Jair Bolsonaro tomou posse em janeiro, o alinhamento estreito com os interesses dos Estados Unidos levantou preocupações em relação ao posicionamento do governo brasileiro para com a presença da Huawei no País. O assunto voltou à tona em maio, durante a realização do Painel Telebrasil 2019, quando foi noticiado que o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, estaria em viagem diplomática para a China. Na ocasião, o presidente da Claro Brasil, José Félix, chegou a se posicionar contra uma eventual decisão de Bolsonaro alinhada aos EUA ao dizer que isso criaria "um verdadeiro inferno" para o setor e o País.  A Oi também mostrou preocupação com uma eventual interferência do governo no rol de fornecedores que as operadoras têm a disposição no Brasil, sendo a Huawei uma das principais.

Pelo menos por enquanto, as preocupações do setor podem ser sanadas. Em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta sexta-feira, 7, Mourão confirmou ter conversado a respeito do assunto com o presidente da Huawei, (presumivelmente se referindo ao CEO Ren Zhengfei), e assegurou que a companhia não será banida no Brasil, inclusive reiterando que o presidente Bolsonaro também não demonstrou interesse na exclusão. Mas confirmou que houve pressão dos EUA.

Segundo o vice-presidente, não há tratativa alguma em relação a banir a Huawei do Brasil. "Não, não. Aqui não. No nosso governo não tem [essa ideia]. O presidente não falou isso para mim em nenhum momento", declarou ele ao Valor. Vale ressaltar que, em outro momento da entrevista, ele mencionou que Bolsonaro não falou nada sobre o relatório da viagem à China.

Mourão confirmou (por duas vezes) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "alertou" Bolsonaro sobre a Huawei na viagem que o presidente brasileiro fez a Washington em março. Apesar de não ter mencionado a resposta de Bolsonaro, o vice-presidente ressaltou que conversou com o presidente da Huawei na China, e que tinha dito a ele que era necessário "criar um ambiente de confiança na empresa" para assegurar que os dados não são compartilhados com o governo chinês. Mas ele logo emenda: "Hoje eu não tenho esse receio. Eu não tenho dados para lhe dizer que estão comentando isso. Seria uma leviandade minha dizer que isso está acontecendo."

Ele comentou sobre a importância da tecnologia da chinesa ao comentar que há deficiência na digitalização do País, incluindo a menção ao marco regulatório de telecomunicações (a LGT) ser de 1998, com foco na telefonia fixa. 

Procurada, a Huawei Brasil afirmou que vê a notícia de hoje com "muitos bons olhos", reafirmando que compromisso da fornecedora com o País é de longo prazo.

Apesar de ainda não ter apresentado provas desde que iniciou a guerra tecnológica no final do ano passado, o governo norte-americano acusa a Huawei de espionagem e de fraude fiscal, levando a chinesa a sofrer bloqueios. A companhia nega as acusações e processa os EUA alegando inconstitucionalidade das medidas restritivas impostas.

Programa espacial

Perguntado sobre o programa espacial chinês, Mourão afirmou que há um satélite em fase final de construção da "parte brasileira", e que ele deverá chegar à China até novembro para o lançamento. Ele se refere ao Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, fruto de uma cooperação tecnológica entre os países e com objetivo de observação terrestre. 

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