Indústria de TV a cabo dos EUA celebra a competição

Competição é o tema do evento NCTA Cable 2007, que acontece em Las Vegas esta semana e que congrega toda a indústria de TV a cabo dos EUA. O curioso é que ainda que a indústria de TV a cabo tenha crescido muito nos últimos anos, o número de assinantes dos serviços de vídeo está praticamente estável há pelo menos cinco anos (até com um pequeno descréscimo). O que o cabo nos EUA ganha, com muita velocidade, é espaço no universo do triple-play, ou seja, na oferta de serviços de voz, dados e vídeo. Então, o que se vê nessa Cable 2007 é muita ênfase nas conquistas onde o cabo tem sido competitivo (ou seja, no crescimento agressivo no mercado de banda larga e voz), mas pouca ênfase onde ele perde espaço, que é na oferta de serviços de vídeos, onde o DTH é o maior concorrente.
"Acho que nos últimos anos a competição que enfrentamos no nosso mercado de vídeo nos deixou mais ágeis para competir no mercado de banda larga e voz", disse Glenn Britt, CEO da Time Warner Cable. "Pelo menos, podemos comemorar que no mercado de voz só nós somos competidores à altura das teles, e isso é uma vantagem. No mercado de vídeo, já existem pelo menos três opções", diz Stephen Burke, COO da Comcast. As opções são a DirecTV, a Echostar e o serviço de vídeo eventualmente oferecido pela empresa de telecomunicações.

4play

O problema agora para a indústria de cabo é de onde tirar a quarta perna, ou seja, a possibilidade de oferecer serviços móveis. "A questão do quádruplo play ainda é complicada porque não sabemos se as pessoas comprarão serviços móveis de alguém que sempre vendeu serviços fixos para ele, e ainda há tecnologias novas, como o WiMax, que não sabemos se terão impacto ou se funcionarão", diz Britt.
Motivo de comemoração mesmo tem sido o avanço sobre o mercado banda larga. Nesse quesito, o cabo sempre liderou nos EUA, mas as teles até reagiram nos últimos dois anos e chegaram ao empate em termos de market share. Mas nos últimos seis meses o cabo voltou a vender bem mais que as redes ADSL, chegando a 30 milhões de usuários. A razão foi a mudança no padrão de velocidades. Já há operadoras de cabo nos EUA com pacotes de 50 Mbps, algo impensável para o ADSL comum. "O ADSL está virando o acesso discado da era da banda larga", provocou o COO da Comcast.

Vídeo-on-demand

Outro ponto enfatizado pelos operadores de cabo dos EUA como uma conquista recente são os serviços de vídeo-on-demand. "Oferecer o conteúdo mais recente de qualquer canal para ser assistido a qualquer momento não é algo que as operadoras de satélite consigam fazer, disse Burke. Aliás, essa tem sido uma batalha dos operadores, já que muitas programadoras não estão permitindo que as empresas de cabo, por conta própria, mantenham em seus servidores os conteúdos recentes exibidos, para serem assistidos quando o usuário demanda. Esse é o chamado "network DVR", ou seja, é o conteúdo gravado não no DVR do usuário, mas no headend. Há inclusive batalhas judiciais sobre o tema. "A contrapartida que estamos nos dispondo a dar para os programadores é desligar a funcionalidade de avanço rápido, de modo que eles tenham a certeza de que o usuário assistirá aos comerciais".
Sobre a competição com novas tecnologias, como Apple TV, Slingbox, portais de conteúdo pela internet, Burke, da Comcast não vê maiores riscos. "Nos últimos 10 anos criamos novos negócios em banda larga, em voz e em TV digital, partindo sempre do zero. Estamos nos reinventando várias vezes. Novos 'gadgets' farão algumas pessoas mudarem o foco e olharem para outro lado, mas o que é central para a vida delas nós ofereceremos".

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