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Globo acelera transformação e fecha acordo de grande escala com Google Cloud

A Globo anunciou nesta quarta, 7, uma parceria inédita com o Google Cloud para a adoção preferencial de soluções de nuvem do Google, em um dos maiores acordos do gênero envolvendo grupos de mídia do mundo. Além de passar a maior parte do acervo da Globo para a nuvem pública do Google Cloud, o projeto prevê ainda o uso de ferramentas e algoritmos de conteúdos do Google para aplicações de inteligência artificial e recomendações, a migração de grande parte dos processos operacionais de produção de conteúdo para o ambiente de cloud, a migração dos serviços e também uma integração nativa entre o Android TV (sistema operacional do Google para smart TVs e set-top boxes) e o aplicativo do Globoplay. Como consequência, a Globo deve se desfazer, dentro de dois anos, de seus data centers próprios e deve intensificar o processo de virtualização de seus processos internos.

Segundo Raymundo Barros, diretor de estratégia e tecnologia da Globo, a opção para uma nuvem pública já estava desenhada dentro do projeto “Uma Só Globo”, que unificou marcas e produtos da empresa e integrou equipes de produção. Mas com a pandemia e o crescimento do consumo de conteúdos em rede, e especialmente com os índices explosivos de demanda por conteúdos com o Big Brother (que cresceram 300% esse ano e demandam 3 vezes mais infraestrutura), a manutenção dos serviços em servidores próprios ficou mais desafiadora. “Isso traz um ganho de eficiência e escala. Mas o mais importante é que agora a gente passa a ter acesso a recursos computacionais e algoritmos de recomendação e Inteligência Artificial para o desenvolvimento de novos produtos, como personalização de publicidade”, diz o executivo em entrevista ao TELETIME.

Integração com Android TV

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Ele destaca também a possibilidade, previstas no acordo, de integrar nativamente o Globoplay e outros produtos digitais ao Android TV. Assim dispositivos que tenham esse sistema operacional poderão criar outro tipo de experiência interativa, por exemplo, entre as transmissões da TV Globo e o Globoplay ou outras aplicações Direct-to-consumer (D2C), com mais engajamento e relevância.

A experiência durante o período da pandemia não só resultou em um tráfego muito maior aos serviços digitais da Globo, como mudou completamente a rotina de produção, com equipes trabalhando remotamente e produções inteiras em homeoffice, como a série “Confinados”. Com isso, explica Raymundo Barros, ficou evidente que seria necessário acelerar a virtualização de atividades. “Muitas vezes temos 600 pessoas editando e atuando em um mesmo projeto de casa, e isso precisa ser feito em uma nuvem de grande capacidade”. A próxima etapa é conseguir virtualizar as transmissões esportivas. “Já fizemos testes com transmissões 100% remotas de volley e esse ano vamos fazer mais 50 eventos dessa maneira”, explica o executivo. Com isso, além de diminuir a exposição dos profissionais aos riscos da pandemia, ganha-se em agilidade e em redução de custos de deslocamento de equipes e equipamentos. 

Outra etapa do processo que deve migrar para a nuvem é o playout (a geração final do sinal para a rede). Isso será feito inicialmente em canais em que o conteúdo é totalmente gravado, sem estúdio, como Viva e Gloob, mas deve migrar para quase todos os conteúdos.

Preocupações

Algumas questões são críticas para um grupo de mídia, explica Raymundo, como confiabilidade. Por isso, a nuvem vai ter redundância em diferentes regiões em que o Google Cloud tem servidores.

Outra questão é a segurança. “A gente estudou muito esse aspecto, mas o investimento que uma estrutura como a do Google faz em segurança sempre vai ser muito maior do que a gente conseguiria fazer, então isso não é um problema, ainda que seja uma atenção permanente”.

Também existe sempre o risco de dependência da estrutura, já que a Globo está migrando aplicações críticas para a nuvem. “Mas isso está muito bem costurado nos contratos e o acordo é de parceiros preferencial, mas não exclusivo. Temos outras aplicações em outras nuvens e não existe exclusividade”, diz Raymundo Barros.

Por fim, um aspecto importante é o desenvolvimento da mão-de-obra interna da própria Globo para lidar com essa nova realidade tecnológica. Barros explica que essa preparação não é de hoje. “Temos uma equipe em tecnologia de 5 mil funcionários, dos quais 3,5 mil estão em processos tradicionais, mas 1,5 mil já são dedicados a carreiras digitais”, explica. Essa é uma tendência que deve se acentuar nos próximos anos, com a necessidade de desenvolvimento de novas expertises, como, por exemplo, gerenciar quais informações e qual o volume de tráfego que serão demandados da nuvem, já que os custos desse tipo de solução aumentam em função principalmente do tráfego, muito mais do que do volume armazenado.

Raymundo Barros explica ainda que a parceria com o Google Cloud é um passo importante para a digitalização de modelos de negócio do grupo e busca de novos produtos, além de uma transformação operacional completa. Ele aponta também uma redução esperada de 25% em custos apenas pela migração de uma nuvem pública em lugar de servidores próprios, e os ganhos com desinvestimentos nos ativos de datacenter que acontecerão em 2 anos. “Mas além disso, que é o típico que se tem nesse tipo de solução, tem um ganho de produtividade que a gente ainda não tem como estimar”.

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