Mercado reage bem à indicação de Bava e especula sobre o futuro das empresas

A indicação de Zeinal Bava para a presidência da Oi refletiu bem no mercado, mas gerou fortes especulações sobre o futuro da operadora no País. O executivo, que acumulará a liderança também da operação doméstica da Portugal Telecom, a PT Portugal, é bem visto por sua experiência em telecomunicações. A Telemar Participações, acionista controladora da tele brasileira, afirmou em comunicado que ele é "um dos melhores executivos do mercado mundial" e destacou premiações europeias que o elegeram "melhor CEO de telecom" na região nos últimos quatro anos.

"Os acionistas controladores da Oi estão certos que Zeinal Bava reúne as competências e experiências necessárias para não só acelerar o processo de turnaround da Oi mas também trazer uma visão estratégica de serviços inovadores que irão levar a Oi à liderança do mercado de telecomunicações do Brasil", afirmou a Telemar em comunicado nesta terça, 4. Para a companhia, a experiência de Bava será vital no processo de sinergia entre as duas partes. "Ele contribuiu decisivamente para a celebração da aliança industrial atualmente existente entre os grupos Oi e Portugal Telecom, parceria estratégica com o objetivo de aliar os benefícios de escala e diversificação geográfica que o mercado brasileiro oferece à experiência do Grupo PT no desenvolvimento de soluções inovadoras e tecnologicamente avançadas para clientes empresariais, na convergência fixo-móvel e TV por assinatura".

Análise

De fato, o mercado respondeu bem. As ações preferenciais da companhia (OIBR4) fecharam o pregão com alta de 16,79% (R$ 4,80), enquanto as ordinárias (OIBR3) fecharam o dia com alta de 15,72% (R$ 5,30). Mas, segundo o analista da SLW, Pedro Galdi, a tendência de alta foi uma "mistura de ajuste técnico e de especulação" em relação à estrutura societária. "Esta alta de recuperação é por conta da pessoa (de Zenal) e pela especulação de controle", afirma o analista. Isso porque há expectativa forte no mercado de que a nomeação do executivo para a presidência das operadoras promova o que seria um primeiro passo para uma eventual fusão das operações brasileira e portuguesa.

O fato é que, desde o começo do ano, a operadora já amargava queda nos papéis. "Já desde janeiro vinha em uma queda livre, pois estava a R$ 8,50, porque a empresa está se endividando bastante, boa parte em dólar, deixando o mercado pessimista; e porque tem a necessidade de investimentos pesados e uma programação de pagar acionistas", afirma, referindo-se à agressiva política de dividendos da operadora.

Na visão de Galdi, Zeinal Bava é bem visto no setor e poderá "arrumar a casa", embora isso possa não ser o suficiente. "Os primeiros fatores de preocupação vão permanecer: a receita é em reais, mas o endividamento é em dólar; a programação de investimentos tem de ser cumprida (por conta das constantes multas com a Anatel); e tem a programação de dividendos que pode ser revista a qualquer momento", declara.

 

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