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Congresso de satélites
Mudança do vídeo para dados provoca pressão nas margens do setor satelital
quarta-feira, 15 de agosto de 2018 , 16h29

De acordo com trabalho da consultoria de pesquisa de mercado Nothern Sky Research (NSR), a tendência mundial para o setor de satélites é de uma mudança, de uma indústria predominantemente focada na distribuição de vídeo para satélites e serviços focados em dados, além de aumento substancial da participação dos satélites não-geoestacionários – de 6% atuais para 67% do mercado em 2027. "Há muitos modelos novos baseados em novas tecnologias, como propulsão elétrica e payloads híbridos. Constelações não-geoestacionárias são intensas em Capex, mas abrem novos mercados. Cada satélite precisa achar seu modelo, é caso a caso e é desafiador", afirma o consultor da NSR Lluc Palerm, em sua apresentação no Congresso Latinoamericano de Satélites nesta quarta, 15. Ele diz haver uma queda na receita mundial das empresas, mas que há oportunidades que o deixa otimista para o futuro, sobretudo com o foco em dados.

"No final do dia, [a migração do vídeo para dados] vai se traduzir em pressão para a receita das operadoras satelitais. A América Latina ainda está meio protegida porque ainda tem novas plataformas e oportunidades de crescimento em vídeo", analisa. Palerm entende que essas empresas precisam ser mais proativas na oferta de conteúdos exclusivos, além de apostar no conteúdo premium como esportes e Ultra HD (4K). Também acredita que é possível investir em over-the-top (OTT), por meio de multicast.

As três áreas de foco para o setor, na avaliação da NSR, devem ser o mercado de aeronáutica e marítimo, backhaul para serviços móveis e consumidor final. Porém, precisará enfrentar a queda de preços da banda, que "veio para ficar". Por isso mesmo, acredita em aplicações com maior intensidade de uso de capacidade satelital, como em banda larga para residências e backhaul de celular. "Podemos aumentar a quantidade de ERBs, hoje são apenas 1,35%", diz. Destaca ainda que mercado de HTS (satélites de alta capacidade de dados) deverá crescer mais, mas que os de widebeam ainda são uma fonte de receitas poderosa: em 2017, foram US$ 1,565 bilhão em receitas HTS e US$ 10,993 bilhões em FSS (serviço de satélite fixo).

Situação no Brasil

Apesar de haver pressão nas margens no Brasil, o setor de satélites afirma estar colhendo frutos de recentes investimentos e não tem observado queda nas receitas e margens, como acontece em outros países. "No nosso caso, temos crescido bastante em virtude dos investimentos feitos", explica o diretor geral da Eutelsat, Rodrigo Campos. Ele lembra que a companhia lançou o primeiro satélite com posição orbital brasileira em 2016, o Eutelsat 65 West A, com capacidade em bandas C e Ku planejadas, além de banda Ka, e que isso gerou o retorno dos investimentos. O diretor geral da Telesat, Mauro Wajnberg, diz que a operadora tem crescido nos últimos três anos. Em julho , a companhia lançou o Telstar 19 Vantage, que ficará na posição 63 graus Oeste e entrará em operação em 1 de setembro e "já carrega payload totalmente comercializado para a Hughes em banda Ka".

Não significa que o mercado brasileiro é fácil. De acordo com o vice-presidente para a América Latina da SES, Jurandir Pitsch, a companhia tem conseguido "manter a receita" no País em função de novos investimentos e com novos clientes, mas sente pressões externas. "Esperávamos crescimento maior na região, e por função econômica, não tem acontecido", declara. O executivo avalia que avanços como a redução do custo de banda e maior eficiência na compressão de imagens conseguem otimizar o uso do espectro, o que compensa as dificuldades financeiras. Assim, a estratégia da empresa será a de aumentar o volume. "A SES comprou e já está em fabricação sete satélites de frota MEO, então serão multiterabits a partir de 2021. Com essa visão de que preços vão cair, vai viabilizar novas aplicações como 5G, e precisa capturar mercado com novas tecnologias", afirma.

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