Reaproximação entre Brasil e EUA é mais intensa com agenda do 5G

Se as relações diplomáticas entre Brasil e EUA parecem estar, de uma maneira geral, distantes, pelo menos em uma área a diplomacia norte-americana e o governo brasileiro estão trabalhando intensamente em conjunto: a agenda da segurança das redes de telecomunicações. Nesta quarta a Embaixada dos EUA voltou a mencionar os esforços de cooperação no 5G a promover um evento apoiado pela embaixada. Segundo o tweet da embaixada, EUA e Brasil "têm um interesse comum em apoiar redes 5G que sejam seguras p/ os cidadãos e promovam inovação econômica e crescimento sustentável".

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A mensagem reforça o que já estava implícito na programação preliminar da missão brasileira aos EUA em junho, para conhecer aspectos relacionados às redes privativas de uso do governo, noticiada primeiro pelo jornal O Globo e detalhada ontem por TELETIME. Os representantes da delegação brasileira terão uma agenda de visitas a locais que não teriam como ser viabilizados sem uma cooperação diplomática intensa.

Ao contrário do que aconteceu em áreas como meio ambiente e combate à pandemia, a saída de Donald Trump e chegada de Joe Biden à presidência dos EUA não trouxe novidades relevantes na relação com a China, sobretudo na questão tecnológica. Não houve, até o momento, nenhum alívio das restrições impostas pelos EUA ao uso de tecnologia norte-americana em equipamentos chineses e o discurso em relação à Huawei não mudou.

No Brasil, o assunto havia saído dos holofotes depois que o Ministério das Comunicações decidiu delimitar no edital de 5G uma previsão de uma rede privativa, que no entendimento do ministro Fábio Faria não teria a participação da China, liberando assim a rede comercial de qualquer restrição em relação aos fornecedores. Mas isso ainda pode mudar, caso o TCU questione a inclusão da rede privativa no edital de 5G, dizem fontes do governo.

Durante a Semana das Comunicações realizada em Brasília, contudo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer críticas indiretas à China e a presença da Huawei entre as empresas participantes das demonstrações de 5G causou desconfortos, a ponto da exposição ser retirada do Palácio do Planalto e a logomarca de todos os patrocinadores ser removida. Fábio Faria, contudo, segue citando os fornecedores de 5G em suas redes sociais, mas não faz referências à Huawei (exceto quando relatou sua visita à China durante missão à Europa e Ásia, em fevereiro).

A delegação aos EUA terá representantes do Ministério das Comunicações (MCom), ABIN, Anatel, Senado, Defesa, Tribunal de Contas da União (TCU) e Gabinete de Segurança Institucional (GSI). E a programação inclui visitas ao FBI, CIA, Departamento de Defesa e Departamento de Comércio, além de visitas a instalações de empresas como AT&T, Ericsson e Qualcomm e apresentação de uma rede privativa da Nokia com o Departamento de Defesa. Confira o roteiro:

Dia 7 de junho

  • Visita ao FBI e CIA (apenas ABIN)
  • Visita ao Departamento de Segurança Interna (DHS)
  • Visita ao Departamento de Estado e Conselho de Segurança Nacional

Dia 8 de junho

  • Visita à FCC
  • Visita à Qualcomm
  • Almoço com Verizon

Dia 9 de junho

  • Visita ao Departamento de Defesa
  • Visita ao Departamento de Comércio
  • Visita ao Departamento Nacional de Inteligência

Dia 10 de junho

  • Vista à AT&T
  • Almoço com investidores (organizado pelo Santander)
  • Visita à Ericsson

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