5G standalone da T-Mobile impactou mais as áreas rurais nos EUA, diz OpenSignal

Foto: Christoph Scholz

Um estudo divulgado na quinta-feira, 18, pela empresa de análise de redes móveis OpenSignal sobre o caso do 5G no padrão standalone (SA) da operadora norte-americana T-Mobile pode trazer algumas informações úteis para a tecnologia no Brasil. De acordo com a avaliação da empresa, o tempo de navegação dos usuários aumentou "significativamente" após a implantação do SA em relação à rede não standalone (NSA). Essa atualização também trouxe uma experiência de latência menor. Mas a velocidade não mostrou uma grande melhoria, pelo menos neste início de operação.

Houve melhora na latência: de 23,8% nas zonas urbanas, e de 21,6% nas rurais, com o 5G SA comparado ao NSA. Porém, na velocidade, a tecnologia anterior ainda é mais atrativa, com 64,4 Mbps nas áreas urbanas e 53,4 Mbps, enquanto no standalone as velocidades são, respectivamente, de 28,6 Mbps e 30 Mbps.

Fonte: OpenSignal
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Isso se explica por conta da estratégia da empresa: utilizar a faixa de 600 MHz, mais baixa e de maior alcance, nesta implantação inicial. Ainda neste ano, a operadora deverá usar 5G em 2,5 GHz também nestas zonas mais afastadas, bem como ondas milimétricas (mmWave). Por conta disso, a maior parte dos benefícios promovidos pelo 5G SA foi sentida na população rural na cobertura da T-Mobile.

A combinação das duas faixas, por meio de agregação de portadoras, será possível justamente por conta da adoção do padrão standalone. Além disso, conforme explica ao TELETIME o analista sênior técnico da OpenSignal, Francesco Rizzato, a T-Mobile detém por volta de 50 MHz na faixa de 600 MHz, mas não necessariamente de forma contígua. "A maior parte é contígua, mas é uma coisa de alocação de espectro diferente em certos lugares. Os usuários não poderiam se beneficiar com 5G NSA se não fosse contíguo, pois essencialmente estão agregando duas partes da mesma banda", diz.

Cobertura

Para Rizatto, a expansão da cobertura com a oportunidade de usar a faixa de 600 MHz foi o que motivou a operadora norte-americana a utilizar o padrão standalone. O foco estratégico da empresa também passa pelo marketing. "Eles foram fortes com a campanha de mercado para mostrar os esforços em ter a primeira rede com cobertura 5G nacional. Por outro lado, também tem a estratégia de disponibilidade da tecnologia, para depois adicionar a camada de 2,5 GHz e do mmWave para dar velocidades mais rápidas."

Também foi parte do plano da T-Mobile acelerar a cobertura do 5G, que estava de certa forma estagnada até agosto, quando foi lançada a nova rede standalone. A disponibilidade do 5G em áreas urbanas pulou de 26,9% para 30%, e em zonas rurais foi de 24,5% para 28,1%. 

Conforme notou Rizatto com os dados da OpenSignal, a diferença de disponibilidade entre ambientes rurais e urbanos foi resultado do quanto tempo se conectam ao 5G com cada tecnologia. Nos 30 dias analisados, usuários urbanos e rurais passaram, respectivamente, 27,8% e 27,4% do tempo conectados no NSA. Mas no standalone, a diferença de tempo conectado cresce, com 3,7% e 5,9%, também respectivamente. 

Futuro

Apesar de o levantamento da OpenSignal mostrar um cenário ainda sem tantas vantagens para o padrão standalone, a empresa sustenta que ele ainda será o futuro do 5G. A expectativa também que o ecossistema de dispositivos compatíveis com SA cresça. Rizatto lembra que apenas modelos mais recentes, lançados de 2020 até hoje, possuem capacidade de lidar com duas frequências ao mesmo tempo com divisão de duplex de frequência (FDD) e por tempo (TDD), como é o caso das faixas de 600 MHz e 2,5 GHz. 

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