Chegada do 5G em 2021 pode vir com mais maturidade

Detalhes técnicos e ecossistema também trazem preocupação com o momento do leilão de 5G para fornecedores. Adiar a chegada da tecnologia para conseguir maior maturidade no ecossistema pode ser uma boa troca. Isso porque, além do ponto de vista financeiro, a Anatel ainda deveria considerar no cronograma as indefinições na tecnologia e na quantidade de espectro, incluindo na problemática faixa de 3,5 GHz, conforme declararam representantes da Cisco, Ericsson, Intel e Nokia nesta segunda-feira, 18, em evento online do portal Tele.Síntese.

O diretor geral da Nokia no Brasil, Luiz Tonisi, entende que a implantação da rede ainda iria demorar após a realização do leilão. Mas, em todo caso, há compensações em esperar por condições mais favoráveis ao mercado, como a melhora do ecossistema de terminais. "Em 2021 vai estar casado com [a padronização do] 3GPP e handsets mais baratos", declarou ele.

Sobretudo, argumenta, haverá melhores definições em relação à implantação dos padrões standalone (SA), que permitem operação apenas no 5G, e não standalone (NSA), que ainda precisam da rede 4G para operação. Assim, entende que investir antecipadamente em uma rede que precisará passar por atualização depois pode se tornar um custo redundante. "Grande parte dos investimentos das grandes operadoras vai para NSA, elas anunciaram ir nesse caminho. Talvez preparar a rede em 2021 para o SA seja melhor do que fazer outro investimento no futuro", opina.

Diretor de políticas públicas na Intel Brasil, Emílio Loures lembra que a GSMA fez os cálculos: o número de estações radiobase é inversamente proporcional à quantidade de espectro. "Ou seja, quanto menos canal se tem, mais complicada fica a sua rede no ponto de vista de número de estações, o que deixa o Capex mais alto", explica. Além disso, cai também o desempenho da rede, com velocidades menores e latência maior. 

"Requisitos mínimos de comunicação são necessários. Se for ter gargalos muito grandes, que atrapalhem latência, garantias de serviço, resistência a intempéries etc. (…), não faz sentido engargalar o 5G", concorda o diretor de políticas públicas da Cisco do Brasil, Giuseppe Marrara. 

Características do espectro

O presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, Eduardo Ricotta, lembra que é preciso tomar cuidado com os blocos regionais para pequenos provedores em relação à possibilidade de interferência na sinalização. Especialmente levando em consideração que o 3,5 GHz utiliza a multiplexação TDD, que usa o mesmo canal para transmitir e receber dados. "Quando se tem a fronteira entre duas operadoras, é mais difícil, gera mais interferência", afirma. 

Ricotta cita ainda a possibilidade de utilização de 100 MHz na faixa de 3,7-3,8 GHz, em compartilhamento com as operadoras de satélites, para o serviço limitado privado (SLP), como defende a própria Anatel. "Há umas 1,2 mil estações com enlaces de satélites, as VSATs, mas se for usar para B2B, tanto para pequenos provedores quanto grandes operadoras, pode-se usar o espectro para fazer slicing, com solução de 5G em uma fabrica ou em uma cidade."

O executivo da Ericsson confirmou que é possível também aplicar a técnica de compartilhamento dinâmico de espectro para implantar o 5G com as frequências atualmente utilizadas para o 4G no Brasil. A fornecedora sueca já utiliza esse tipo de tecnologia com a operadora Swisscom na Europa. Porém, a quantidade de espectro disponível para a população brasileira "é obviamente bem limitada e é uma preocupação". Segundo o executivo, a companhia tem discutido com "todas as operadoras" sobre a possibilidade de utilizar a técnica no País. 

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