Base 4G da América Latina ainda crescerá para abrir caminho para o 5G, diz GSMA

Foto: Pixabay

Com a formulação de novas políticas públicas e marcos regulatórios, a América Latina deverá experimentar um crescimento acelerado no mercado de banda larga móvel em 4G nos próximos cinco anos, gerando aumento de receitas – e de investimentos – que abrirão caminho para a chegada do 5G. Segundo a associação global de operadoras móveis (GSMA) no relatório The Mobile Economy Latin America, divulgado nesta terça-feira, 27, a previsão é que a base latino-americana aumente de 416 milhões (67% do total de usuários) para 422 milhões de assinantes móveis únicos (73% de penetração), um aumento de 1,44%.

Ainda haverá aumento da adoção do 4G na região, abrindo caminho para 5G. Até 2025, a previsão é que a tecnologia atual LTE saia dos atuais 263 milhões de acessos (41% do total) para 468 milhões (67%) até 2025, um aumento de 77,95%. Enquanto isso, a quinta geração ficará responsável por 7% da base total – ou 51 milhões de chips – no mesmo período (a associação entende que o lançamento das redes comerciais no México, Uruguai e Brasil seja no ano que vem). Entre as aplicações do 5G mencionadas por organizações latino-americanas estão a de comunicações massivas em indústrias, com implantações corporativas e com oferta de acesso fixo/móvel (FWA). Mas a associação ressalta que o FWA não deve substituir a banda larga fixa,  mas apenas ser "uma solução complementar para áreas difíceis de chegar com infraestrutura fixa". 

Ainda assim, com esses 7%, a região estará entre as que menos adotam o 5G (excluindo FWA) no mundo em 2025 – Ásia/Pacífico "desenvolvida" terá 50%, enquanto a América do Norte e Europa terão, respectivamente, 48% e 33%. A GSMA coloca que países com alta penetração de 4G já alocam espectro e capacidade suficiente por operadora com antecedência. A entidade diz que operadoras e reguladores precisam colocar o espectro como prioridade, mas que aspectos como aquisição de sites, gestão de mix de tecnologias, cobertura, direito de passagem e backhaul de fibra devem também ser endereçados logo. 

Além disso, a associação sugere que as organizações devem investir em Internet das Coisas industrial para que o 5G ganhe ritmo. A GSMA diz que, enquanto EUA e Coreia do Sul foca na quinta geração para o cliente final, "se operadoras da América Latina se concentrarem em empresas primeiro, então poderão mais rapidamente liberar o potencial do 5G para verticais e ganhar um retorno mais sustentável no investimento em 5G new radio (NR)".

As capacidades do 5G que mais chamam atenção das organizações pesquisadas na América Latina são as altas velocidades, para 78%; o fatiamento de rede (network slicing) para 44%; computação na borda (edge computing) para 31%; e serviços de baixa latência para 24%. Na comparação com o restante do mundo, as taxas são, respectivamente: 74%, 49%, 41% e 31%.

Internet das Coisas

O relatório coloca que o total de conexões de Internet das Coisas na região tem uma média de crescimento anual de 14%, devendo chegar a 1,3 bilhão de acessos em 2025 (contra 526 milhões em 2018), o que seria apenas 5% de todas as conexões IoT no mundo. Mais da metade (56%) das aplicações de IoT serão para o consumidor, mas as conexões corporativas deverão triplicar entre 2018 e 2025. A entidade ressalta que os países têm procurado remover barreiras à implantação, como custos iniciais, por meio de estratégias e políticas públicas nacionais. 

As receitas de IoT deverão crescer com uma taxa mensal de 21% no período, totalizando US$ 47,2 bilhões, especialmente por conta de aplicações, plataformas e serviços, que sairão de 56% da receita para 61%. A receita com conectividade em si vai crescer 60%, mas a participação desse fluxo no total cairá de 6% em 2018 para 2% em 2025. Por isso, a conectividade pura será "insustentável", e a maior parte do valor será para soluções de verticais. Por isso, as operadoras têm buscado expandir para segmentos como cloud, analytics e serviços fim a fim. 

Excluindo IoT licenciado, o total de acessos móveis no mercado latino-americano sairá de 644 milhões em 2018 (uma taxa de penetração de 102%) para 700 milhões em 2025 (penetração de 104%). Desses totais, os smartphones são 427 milhões (66% de adoção) e serão 543 milhões (79%), segundo prevê a entidade. 

Impacto econômico

Na visão da associação, as flutuações cambiais e instabilidades econômicas resultam em volatilidade no bloco latino-americano, mas o 4G permitirá a sustentação do crescimento. Com isso, a receitas das operadoras deverão evoluir de US$ 67 bilhões para US$ 76 bilhões, e os investimentos acumulados no período seriam de US$ 127 bilhões, dos quais US$ 66,3 bilhões seriam nas tecnologias legadas (4G ou inferior) e US$ 60,3 bilhões em 5G. Em 2025, as teles investirão US$ 14 bilhões na quinta geração, contra US$ 3,3 bilhões nas demais redes. 

Em 2018, as tecnologias e serviços móveis contribuíram para 5% do PIB na América Latina, ou cerca de US$ 260 bilhões em valor econômico agregado. Somente o 5G deverá contribuir em US$ 90 bilhões à economia latino-americana até 2034, sendo responsável por 5,4% do crescimento do PIB.

Essa indústria respondeu por 1,7 milhão de empregos diretos e levantou mais de US$ 38 bilhões em tributos. A expectativa é que essa contribuição chegue a US$ 300 bilhões até 2023, "à medida que se intensificarem os benefícios da crescente aceitação de serviços móveis e das melhorias em produtividade e eficiência a eles associadas". A GSMA ressalta ainda que o impacto da indústria móvel fez a América Latina melhorar em indicadores de desenvolvimento sustentável da ONU, especificamente de educação e igualdade de gênero. 

As políticas de estado destacadas pela GSMA são a criação de estruturas institucionais independentes para segurança jurídica; alinhamento das leis municipais aos objetivos digitais federais para implantação de rede; planejamento do desenvolvimento do 5G por meio de roadmaps de espectro; concepção de políticas tributárias que promovam conectividade e acessibilidade; e elaboração de estruturas nacionais de proteção de dados para acelerar a economia digital. 

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