Deputado quer ressuscitar "mensalão" com convocação de Dantas

A iniciativa do deputado Gustavo Fruet (PSDB/PR) de sugerir a convocação de Daniel Dantas pela CPI das Escutas Telefônicas está, em princípio, circunscrita à ampliação das investigações parlamentares sobre a contratação da Kroll pelo Opportunity e conseqüente uso de grampos ilegais pelo banco. Em conversa com TELETIME News, Fruet, que não é membro da CPI, disse que o alvo de seus requerimentos também é a obtenção de mais informações sobre a Operação Chacal, realizada pela Polícia Federal em 2004 e considerada um dos caminhos que desaguaram na Operação Satiagraha.
Além da convocação de Dantas, o deputado apresentou formalmente à CPI do Grampo, como é chamada no Congresso Nacional, pedidos para que sejam ouvidos o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, todos presos pela Operação Satiagraha e soltos por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada. Também foi pedida a convocação do ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, que hoje trabalha em favor de Dantas.
A meta de Fruet, ainda sem forte repercussão entre os demais deputados, é voltar à carga no tema "mensalão", objeto da investigação parlamentar na CPI dos Correios, da qual o deputado fez parte. Como a base da Operação Satiagraha estaria nas investigações dessa CPI, o deputado acredita que, em um segundo momento, é possível reavivar a discussão.

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Com relação à possibilidade de que, nos depoimentos, os suspeitos acabem sendo questionados sobre outras questões que podem comprometer as gestões do PSDB, como as privatizações, Fruet foi incisivo. "Toda CPI tem ameaças veladas. Agora, é pagar para ver. O pior é a omissão nesse caso", declarou.

Em busca de apoio

O fato de a CPI do Grampo não ter sido motivo de disputas políticas em suas nomeações completam o cenário favorável para a iniciativa, na visão do parlamentar. Ao contrário da CPI dos Correios, esta comissão não tinha "potencial contra o governo", segundo Fruet, e, por isso, não houve uma preocupação da base aliada em escolher nomes fortemente combativos, que impeçam agora uma investigação mais profunda. "Nessa CPI, acho que tem espaço para trabalhar", afirmou.
A iniciativa de associar a investigação dos grampos ao mensalão também está implícita nos requerimentos de informações apresentados pelo mesmo deputado. Foram solicitadas informações da PF sobre a Operação Chacal e sobre a atuação da Kroll no Brasil.
Ainda é incerto se os requerimentos terão apoio dos demais deputados. Segundo Fruet, o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB/RJ), estaria inclinado a apoiar as propostas. Itagiba esteve na última quinta-feira, 10, com o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto De Sanctis, responsável pela expedição dos mandatos de prisão contra Dantas, Nahas e Pitta e outras 21 pessoas suspeitas de participação nos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, evasão de divisas, entre outros.

Recesso parlamentar

Sendo a última semana antes do recesso parlamentar, a expectativa é que os requerimentos sejam votados nos próximos dias, mais provavelmente em reunião nessa terça-feira, 15. Fruet informou que irá propor que a CPI não suspenda os seus trabalhos durante o recesso, o que é previsto regimentalmente.
Ainda hoje, deverá ser feita no Palácio do Planalto uma reunião entre os líderes partidários e o tema seria justamente a posição dos partidos frente à Operação Satiagraha. É possível que, neste encontro, defina-se, ao menos entre os líderes da base do governo, uma posição favorável ou contrária à convocação de Dantas e dos demais investigados pela CPI do Grampo. Até o momento, o líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE), tem se mostrado contrário à convocação e pretende fazer uma reunião com a bancada do governo sobre o assunto.

BrOi

Além da iniciativa de Fruet, a Subcomissão de Telecomunicações da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática também pretende se envolver nas investigações em torno do dono do Opportunity. Na semana passada foram aprovados requerimentos para a obtenção de informações sobre a disputa judicial entre o banco de Dantas e a Telecom Italia.
Os deputados da subcomissão também pretendem acompanhar de perto a compra da Brasil Telecom pela Oi e solicitarão informações aos órgãos envolvidos. Inicialmente, a Anatel será chamada para explicar as mudanças que pretende promover no setor e que permitirão a união das duas concessionárias. A audiência ainda não está marcada, mas pode ocorrer ainda em agosto. O presidente da subcomissão, Júlio Semeghini (SP) é do PSDB, assim como Fruet.

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