Chairman do DVB diz que 4K é desperdício de frequência

Philip Laven, chairman do DVB e do FOBTV (Future of Broadcast TV, grupo internacional que estuda a evolução da radiodifusão), fez uma provocação aos radiodifusores brasileiros em um encontro realizado pela SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) na IBC, que acontece esta semana em Amsterdã. Convidado a opinar sobre a convivência entre broadcast, celular e IP, Laven, que disse não falar em nome de nenhuma das associações que representa, afirmou que o 4K não agrega valor à televisão. Segundo ele, mantendo a distância entre TV e telespectador possível na maioria das residências, o 4K é um exagero, porque quanto maior a definição da imagem, maior deve ser a tela. Para uma sala na qual o espectador fique a dois metros da TV, a tela 4K deve ter mais de 100".
 
Além disso, Laven questionou a necessidade de usar as frequências terrestres para ampliar a resolução da TV. "Se você vai transmitir em 4K, ou mesmo 8K, não deveria distribuir por satélite, ou fibra? A transmissão terrestre deveria ser usada para enviar conteúdo até uma TV gigante pregada na parede, ou para transmitir para um dispositivo que as pessoas carreguem consigo?", questionou.
 
Mesmo assim, Philip Laven prega a adoção de codificações mais eficientes para a transmissão de TV. "Espectro está sendo muito demandado por serviços não broadcast, Portanto, o  broadcasters devem usar a melhor tecnologia disponível para garantir o uso eficiente do espectro", disse. "O MPEG 4 é a melhor tecnologia disponível para HDTV, mas o mercado terá que migrar para o HEVC, seja para HDTV ou mesmo para 4K", completou.
 
Laven alertou os radiodifusores para a próxima migração tecnológica do setor. "O próximo switch over será muito mais difícil de justificar. Como explicar para o consumidor que ele terá de trocar de aparelho para economizar espectro?"
 
Futuro promissor
 
Apesar de ser contra a evolução para padrões mais avançados na TV aberta (a menos que seja para economizar espectro), Philip Laven diz  acreditar em um futuro promissor para a radiodifusão. "Quatro dos cinco maiores países da Europa seguem tendo uma TV aberta relevante", disse, referindo-se ao Reino Unido, Itália, Espanha e França. Na Alemanha a distribuição se dá principalmente pela TV por assinatura.
 
Laven citou dados ainda do BBC iPlayer, plataforma online da emissora britânica. Segundo ele, a plataforma vai muito bem, com aproximadamente 5 milhões de requisições de conteúdo de TV por dia, mais 2,5 milhões de requisições de rádio. No entanto, o pico de audiência da plataforma não passa de 2% do pico de audiência da TV aberta no país.

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