Brasil perde US$ 1,65 bilhão com software pirata em 2008

O Brasil registrou prejuízo de US$ 1,645 bilhão com a venda de software piratas no ano passado, o que representou um crescimento de 1,73% na comparação com 2007. Com isso, o país assumiu a nona posição no ranking mundial de danos financeiros provocados pela venda de programa ilegais de computador e o primeiro lugar na América Latina, segundo estudo encomendado à IDC pela Business Softwares Alliance (BSA).
Apesar disso, Frank Caramuru, diretor da BSA Brasil, diz que o resultado foi positivo, já que entre 2005 e 2007, a cifra havia saltado 111,1%. Um dado que corrobora a visão do executivo é o fato do índice brasileiro de pirataria de software ter recuado 1% no ano passado, ficando em 58%. Entre 2005 e 2008, a queda foi de 6 pontos percentuais.
O Brasil possui a segunda menor taxa de pirataria de software na América Latina, atrás apenas da Colômbia, com 56%. Os países piores posicionados são a Venezuela (86%), Paraguai (83%) e Bolívia (81%). O índice médio da região, de 65%, é um dos maiores do mundo. Os prejuízos com o uso de softwares falsificados na região foram de US$ 4,311 bilhões em 2008.

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Na comparação com os países emergentes que compõem o chamado Bric (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o que tem o menor índice de pirataria de software, seguido por Índia (68%), Rússia (68%) e China (80%).
No mundo, a taxa subiu de 38% para 41% entre 2007 e 2008, gerando prejuízos de US$ 53,1 bilhões, alta de 11% na comparação anual. Assim, para cada US$ 100 de software vendido, US$ 69 foram para produtos piratas. "A cada 1% de redução do índice de pirataria no mundo é gerado a diminuição de cerca de U$ 1,3 bilhão no prejuízo", observa Caramuru.
Para o período de 2009 a 2010, Caramuru acredita que a pirataria no mercado brasileiro de software vai aumentar em decorrência da crise econômica. Além disso, o executivo avalia que a expansão da internet em banda larga, que facilita o acesso aos programas ilegais, e o crescimento das pequenas e médias empresas, que são mais suscetíveis ao uso de software pirata, são fatores que devem contribuir para o aumento da pirataria de software.
Mesmo assim, o executivo avalia que o país pode diminuir o índice de pirataria, mas entende que as despesas com softwares piratas tendem a manter a tendência de crescimento.
Segundo cálculos da IDC, uma redução de 10 pontos percentuais na pirataria de softwares no país durante os próximos quatro anos poderia gerar 11,5 mil novos empregos, US$ 2,9 bilhões em receita para a indústria local e US$ 389 milhões em impostos.
"Esta é a meta do país e, mesmo com os impactos da crise, é possível de ser alcançada. Temos realizado diversas ações e investido pesado para reduzir a pirataria, e os resultados de 2008 já revelam um avanço importante", conclui Caramuru.
O executivo frisou que as empresas têm grande papel no apoio à diminuição da taxa de pirataria de software, já que o mercado corporativo, em conjunto com o govenro e as escolas, responde por 45% do total de softwares ilegais e por elas adquirirem mais computadores sem programas instalados.
"As empresas estão se conscientizando de que o uso de softwares piratas é prejudicial a elas mesmas e que pode gerar multas de até 3.000 vezes o valor da licença original. A investigação está mais intensa, o que fez as empresas alterarem seu pensamento e passarem a fazer uso de softwares originais em detrimento dos ilegais", comenta Caramuru.
O estudo da IDC revela que empresas, escolas e órgãos governamentais tendem a usar mais software pirateado em computadores novos, em comparação com consumidores omuns. Isso ocorre porque os consumidores compram uma alta porcentagem de PCs que já vêm com software, em redes de varejo nacionais. Enquanto, as empresas, órgãos governamentais e escolas usam canais de distribuição mais variados e com menos software pré-instalado, sendo que esses canais tendem mais a incluir fontes de software pirateado.
Além disso, o relatório avalia que no setor corporativo, geralmente há mais pirataria entre empresas de pequeno orte do que entre empresas maiores, em parte porque as empresas menores compram com mais frequência computadores de fornecedores sem marca, chamados fornecedores de "caixa branca", que tendem a instalar mais software pirateado em seus PCs do que os fornecedores com marca.

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