Mercado de cabo na Europa tem semelhanças com os EUA e desafios como os do Brasil

Um debate entre operadores de cabo europeus e norte-americanos realizado nesta terça, 11, durante a Cable 2013,que acontece esta semana em Washington, mostrou que existem entre esses dois mercados de TV paga algumas similaridades, mas também muitas diferenças. A maior semelhança é o tamanho: enquanto o setor de cabo na Europa tem cerca de 60 milhões de assinantes, o mercado norte-americano tem cerca de 64 milhões. Outra semelhança é o poder aquisitivo médio da população, mas as coincidências param por aí.

O norte-americano gasta muito mais do que o europeu em TV a cabo. A receita média por assinante na Europa está na cada dos US$ 24, enquanto nos EUA está na casa dos US$ 80. Essa diferença faz com que a receita do setor de cabo nos EUA seja quatro vezes maior do que na Europa. Por outro lado, os índices de penetraçào europeus são mais baixos do que os norte-americanos, e os custos são diferentes: programação na Europa é hoje muito menos cara do que nos EUA.

Um fenômeno que já tem sido observado nos EUA também se repete na Europa: o dos cable cutters, ou usuários que deixam de assinar plataformas de cabo para ficar apenas com a banda larga. Mas para o consultor da IHS, Guy Bisson, isso deve ser visto sob outra perspectiva. "Se olharmos a penetração em TV paga, independente da tecnologia, ela tem se mantido mais ou menos estável seja na Europa ou nos EUA, o que significa que o fenômeno que está acontecendo é apenas a migração de clientes de uma tecnologia para outra."

Tanto operadores norte-americanos quanto europeus, de maneira semelhante, apontam a relevância das redes de cabo em promover a competição no mercado de banda larga. Para Matthias Kurth, chairman da Cable Europe, associação europeia de empresas de cabo, já está claro para os reguladores europeus que a banda larga é mais barata e mais rápida quando existe uma oferta de cabo competitiva. Europeus e norte-americanos se queixam, contudo, que raramente o cabo é contemplado em programas públicos de universalização da banda larga.

Brasil

Em alguns aspectos, o mercado de cabo europeu é mais parecido com o brasileiro. Forte presença do DTH e competição, na banda larga, com redes antigas, sobretudo ADSL. Isso representa uma boa oportunidade de crescimento para o mercado europeu, diz Kurth. Outra importante semelhança com o Brasil é o peso da TV aberta, que em geral ainda leva cerca de 75% da audiência, mesmo entre assinantes de cabo. A diferença é que a TV aberta na Europa é forte sobretudo por conta da TV pública, que em muitos casos é financiada por taxas cobradas diretamente da população, o que muitas vezes drena recursos da TV por assinatura comercial.

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