Lentidão na definição de neutralidade prejudica papel dos EUA no debate mundial

Em meio ao debate sobre neutralidade de rede que cerca o governo norte-americano nos últimos meses, o vice-presidente sênior da consultoria Fabini Consulting, Lou Lehrman, acredita que a discussão não está nem perto de terminar. Além do mal-estar entre o presidente Barack Obama e o chairman da Federal Communications Comission (FCC), Tom Wheeler, há o problema da reclassificação da banda larga como serviço de telecomunicações, que a coloca toda a conversa em meio ao fogo cruzado das empresas de telecomunicações, apoiadas pela ala republicana do senado, com as pressões da sociedade civil.

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Na opinião dele, o modelo híbrido, que propõe o tratamento isonômico do tráfego de forma diferente no varejo e no atacado, deverá ser o que a agência reguladora Federal Communications Commission (FCC) vai apresentar no começo do ano que vem, mas não há certeza ainda. "De qualquer forma, se chegar ao Title II, vai ter briga na justiça e chegará em um limbo regulatório", destacou ele durante o Seminário ABDTIC 2014 nesta quarta, 10. Para ele, talvez a única solução seja aguardar um lento processo de definição das regras pelo Congresso norte-americano.

Lehrman reconhece que esse processo para a implantação da neutralidade de rede nos Estados Unidos está atrasado, e não deverá ser encerrado pelo menos até os próximos dois anos. "A América está atrás de boa parte do mundo, e enquanto não houver essa definição, fóruns como a UIT (União Internacional de Telecomunicações) e IGF (Internet Governance Forum) estarão comprometidos. Enquanto isso, ficaremos apenas como testemunhas". A justificativa é que qualquer decisão tomada pela FCC irá influenciar as políticas de governança de Internet no resto do mundo. Além disso, ele destaca que os EUA têm papel protagonista e, por isso, qualquer discussão em que o país não esteja atuando perde força. "Nós deveríamos estar na liderança disso", acredita.

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