Distribuidores e produtores apostam em modelo de assinatura para conteúdo online

A operadora de TV canadense Rogers Cable deve lançar no próximo semestre um site de banda larga com vídeos de seus canais. O lançamento do portal faz parte da estratégia da operadora para combater os downloads ilegais e oferecer conteúdo para seus assinantes de conteúdo on demand, segundo o presidente e gerente geral de produtos televisivos da Rogers Cable, David Purdy. O executivo participou de um debate com o CEO do serviço de troca de arquivos Bit Torrent, Eric Klinker, durante o Next Media, evento voltado para as mídias digitais que aconteceu de 5 a 7 de junho em Banff, Canadá.
O lançamento do serviço da Rogers Cable é uma resposta à preocupação da operadora com a distribuição ilegal de conteúdo e com a demanda dos usuários por conteúdo on demand, um dos principais temas abordados até o momento no evento de novas mídias e no Banff World Television Festival, encontro que acontece de 7 a 10 de junho, também em Banff, e reúne operadores, broadcasters e produtores para discutir o mercado de televisão.
O site estará disponível para todos os usuários, porém o conteúdo dos canais fechados poderá ser acessado apenas por assinantes do serviço de televisão paga da operadora. Para estes, porém, não haverá custo adicional. "Nosso modelo é oferecer esse produto aos nossos assinantes, sem custo, para que eles possam acessar o que, quando e onde quiserem. É um modelo suportado por publicidade", conta Purdy.

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O executivo admite que se preocupa com os modelos apoiados apenas em publicidade e sem qualquer tipo de assinatura. "É um mundo dominado pelo usuário", diz.
Outros distribuidores e produtores apontaram a mesma preocupação. Gary Carter, da Fremantle Media, conta que os broadcasters têm falado em uma queda de 20% da publicidade até o momento, devido à crise financeira. "O dinheiro é o mesmo para todas as mídias. Modelos baseados em assinatura terão de ser o futuro", aposta.
Neste contexto, o CEO do Bit Torrent, Eric Klinker, tem sido alvo de duras críticas por parte dos detentores e dos distribuidores de conteúdo. Ele defende seu negócio dizendo que a troca de arquivos como é feita hoje pela plataforma permite que o custo de distribuição seja perto de zero. O Bit Torrent tem hoje cerca de 50 milhões de usuários ativos mensalmente e aproximadamente 300 mil downloads do aplicativo por dia.
Para Purdy, o problema com o peer-to-peer é o fato de que 99% do conteúdo que ali transita não respeita as leis de proteção aos direitos de propriedade intelectual. "O que nos perguntamos é como fazer com que 20% do conteúdo, que é o que o espectador realmente quer ver e é 80% do que circula no peer-to-peer, esteja mais perto desse consumidor?", questiona o executivo. "Não estamos nos movendo rápido o suficiente", opina o executivo da Rogers Cable.
Klinker, do Bit Torrent, diz acreditar na neutralidade da Internet, porém admite que seria possível restringir o acesso a determinados conteúdos no serviço, a partir de uma assinatura, por exemplo. Ele lembra, no entanto, que os provedores de conteúdo não têm demonstrado interesse em fazer negócios com a empresa. "Poderíamos ser fonte onde se poderia acessar o conteúdo legitimamente. A tecnologia poderia desempenhar um papel", conclui.

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