Para BSkyB, OTT não é ameaça, mas oportunidade

Muito do que vem sendo discutido neste início de congresso da IBC2012, uma das maiores feiras de telecomunicações e televisão do mundo e que acontece até o dia 11 em Amsterdã, tem a ver com os novos hábitos de consumo de TV dos usuários, impulsionados principalmente pela massificação da banda larga e de devices conectados e o surgimento dos serviços over-the-top (OTT). Mas para o CEO da britânica BSkyB, Mike Darcey, não são os consumidores que estão mudando: "consumidores sempre quiseram as mesmas coisas: se engajar emocionalmente com os conteúdos, se entreter, ser sociais e sempre foram 'preguiçosos', querem tudo de maneira fácil, simples. O que mudou é que agora as mudanças tecnológicas permitem novas formas de consumo e a questão é saber como responder a essas mudanças", afirma.

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E adaptação é algo que já faz parte da estratégia da Sky britânica há anos. Em 2007 a empresa deixou de ser apenas uma operadora de TV via satélite (DTH) para oferecer também serviços de telefonia fixa e banda larga e, mais recentemente, lançou serviços on demand e de TV everywhere.

A mais nova empreitada da Sky foi o lançamento de seu próprio serviçoOTT, o Now TV, em julho deste ano. "O temor de que os OTTs sejam uma ameaça não poderia estar mais longe da verdade. As ofertas no mercado não são satisfatórias e o que vemos é uma oportunidade de chegar aos 13 milhões de domicílios no Reino Unido que ainda não têm Sky", pontua Darcey.

Segundo ele, a Sky está presente hoje em cerca de 40% dos domicílios britânicos, outros 10% têm outro provedor de TV por assinatura e há ainda metade dos domicílios (de 10 milhões a 12 milhões de residências) apenas com TV aberta gratuita. "O Now TV não foi uma resposta à entrada da Netflix, mas assim como eles, vimos uma oportunidade de entrar nesse mercado free-to-air", explica.

Conteúdo

Além de usar a tecnologia para facilitar a vida de seus clientes, o segundo pilar da estratégia da Sky, e o primeiro em importância nas palavras do CEO da empresa, é o conteúdo. "O cliente não vem a nós por tecnologia ou por 'pipes', mas sim porque o que importa no fim das contas é a ligação emocional com os conteúdos. Sem boa programação acabaríamos por vender tecnologia e devices", diz.

A importância dada pela Sky ao conteúdo se reflete nos vultosos investimentos que a operadora faz na produção de conteúdo próprio para os canais que levam sua marca, como Sky News, Sky Sports, Sky Movies etc. De 1993 a 2012, a empresa acumula um total de 2,3 bilhões de libras investidos em produção de conteúdo. "E muito desse dinheiro foi aplicado em conteúdo local. Até 2014 serão 600 milhões de libras investidos em conteúdo no Reino Unido", detalha o executivo. Segundo Darcey, a Sky é a maior fonte de investimento em programação local no país.

E os investimentos têm dado resultado. De acordo com o CEO, a participação de conteúdos pagos na composição do consumo de programação da Sky subiu de 30% em 2010 para 40% em julho deste ano. "E o conteúdo pago deve continuar crescendo. Temos clientes cada vez mais satisfeitos, o que nos rende mais receitas e nos permite investir mais em conteúdo".

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