Caminho para 5G envolve padronização, (muito) investimento e reconstrução das redes

Um dos temas recorrentes nos painéis do Mobile World Congress (MWC), que acontece esta semana em Barcelona, é como e quando chegarão as redes de quinta geração (5G), e que implicações elas terão para as operadoras. Primeiro, a má notícia: não será uma migração trivial nem um upgrade automático. Será um processo que consumirá da indústria de telecomunicações investimentos estimados em US$ 4 trilhões entre desenvolvimento e CAPEX até 2020, segundo o CEO da Qualcomm, Stephen Mollenkopf, durante sua apresentação no MWC.

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Desafio para as redes

O desafio para as redes de quinta geração é que elas requerem um novo planejamento das redes, porque o propósito passa a ser outro: conectar não apenas pessoas, mas coisas. Não é apenas de velocidade. Assim, o número de conexões comportadas em uma mesma célula, por exemplo, precisa passar de milhares possíveis hoje nas redes LTE para a casa dos milhões. Da mesma forma, será necessário permitir o handover (ou mudança de rede) entre redes Wi-Fi e 5G, por exemplo. As metas de latência também mudam, da casa dos 50 milissegundos (ms) hoje conseguidos pelas redes 4G para uma conexão quase instantânea. Isso para não falar nas necessidades de economia de energia, de interoperabilidade de software entre vários fornecedores, requisitos de segurança e harmonização do espectro.

Desafios estratégicos

Algumas operadoras, como a KT (Korea Telecom) prometem ter as primeiras redes experimentais disponíveis para 2018. Mas ainda há um grande esforço de padronização e interoperabilidade a ser feito pela indústria até que se chegue ao ponto de oferecer redes de wireless de 10 Gbps ou conexões simultâneas de milhões de dispositivos na mesma rede, comportando grandes volumes de tráfego. "Será possível lidar com essa demanda com as redes atuais? Com certeza não. Temos que reconstruir nossa infraestrutura para transportar essa nova comunicação", disse o presidente e chairman da KT Corporation, Chang-Gyu Hwang, durante o MWC 2015. "Por outro lado, o que vemos é um universo completamente novo de novos negócios a serem criados".

Para o CEO da Orange, Stéphane Richard, as operadoras de telecomunicações vieram até aqui, evoluindo progressivamente suas redes. Mas agora, diz ele, o avanço será diferente. "(A realidade) 5G é um projeto industrial, para onde não vamos pular imediatamente, vamos ter que planejar com calma, precisa ser lançado no momento certo para atender à revolução da Internet das Coisas". Por "projeto industrial" o que ele quer dizer é que não é apenas uma decisão da indústria de telecom, mas sim um esforço concentrado entre diferentes setores, da indústria automobilística à área de saúde.

Essa análise vai na mesma linha da manifestação do deputy chairman da Huawei, Ken Hu, que criticou o esforço descentralizado de padronizações existente hoje, por exemplo, no ambiente dos carros conectados. "É preciso que todos atuem de maneira conjunta", disse em palestra no Mobile World Congress.

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