Juntas, empresas terão receita de R$ 37 bilhões e dívida líquida de R$ 41 bilhões

A fusão entre Oi e Portugal Telecom vai criar uma empresa mais sólida do ponto de vista financeiro, com receitas somadas de R$ 37 bilhões e EBITDA total de R$ 12,7 bilhões, mas não vai melhorar o perfil de endividamento de nenhuma das companhias. Juntas as duas empresas (CorpCo) terão uma dívida líquida de R$ 41 bilhões, ou mais de 14 bilhões de euros, o equivalente a 3,3 vezes a relação dívida líquida/EBITDA. Esse valor já considera a capitalização esperada de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões após o aumento de capital. Ou seja, não melhora muito o perfil nem da Portugal Telecom nem da Oi, que têm uma alavancagem individual muito próxima dessa relação de 3,3 vezes. O CEO Zeinal Bava ressalta, contudo, que o foco da companhia após a fusão continua sendo a melhoria dos processos operacionais e a redução do endividamento, o que virá com racionalização dos custos e melhoria das margens de operação.

A empresa resultante da fusão entre Oi e Portugal Telecom terá mais liquidez, por ser uma companhia sem controladores, com os mais altos padrões de governança (Mercado Aberto no Brasil),  listada em São Paulo, Lisboa e Nova York, e que terá uma margem operacional um pouco melhor em relação ao Brasil (34% de Margem EBITDA, contra 31,5% da Oi e 42% da Portugal Telecom sem a Oi)

A operação que resultará na fusão entre as duas empresas estima um aumento de capital total para Oi de cerca de R$ 14 bilhões, dos quais cerca de R$ 6 bilhões equivalem ao valor da Portugal Telecom e outros R$ 8 bilhões devem ser captados em dinheiro junto a atuais e novos acionistas e que não serão utilizados para pagar participação acionária de nenhuma companhia. "Esses R$ 8 bilhões vão ficar na companhia. Serão usados exclusivamente para investimentos e redução da divida", garante Zeinal Bava, CEO da Oi, Portugal Telecom e futuro CEO da CorpCo.

Dos R$ 8 bilhões, R$ 2 bilhões já estariam garantidos pelo aporte do fundo administrado pelo BTG Pactual e outros acionistas controladores da Oi. Não se sabe ao certo quais acionistas brasileiros acompanharão o aumento de capital da Oi para não terem suas participações diluídas. O futuro conselho da CorpCo tem dois representantes do grupo Jereissati e um da LF-Tel, além de um representante do BNDES, o que dá a entender que pelo menos esses três acionistas devem manter participações relevantes. Do total de futuros conselheiros, seis são brasileiros e cinco são portugueses, incluindo representantes do Banco Espírito Santo (BES) e da OnGoing.

Do lado português, os investidores portugueses BES e OnGoing, maiores acionistas individuais da Portugal Telecom ao lado da própria Oi, disseram que pretendem manter a posição que têm na holding portuguesa e devem acompanhar o aumento de capital. Ao todo, os atuais acionistas da Portugal Telecom terão cerca de 38% da futura companhia.

Ainda segundo Bava, as duas companhias têm dívidas com prazo de maturação razoáveis, ou seja, não precisam ser pagas agora. São papéis com prazo de quatro ou cinco anos, em media, de vencimento, o que deve dar nesse momento o fôlego que a Oi precisa pra crescer e se manter. Bava garantiu ainda que está mantida a política de dividendos de remuneração de R$ 500 milhões por ano da Oi, e que em outubro haverá a antecipação dos dividendos de 2013.

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