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TV digital
Conheça as normas do padrão brasileiro, o ISDTV
sexta-feira, 30 de março de 2007 , 20h49 | POR FERNANDO LAUTERJUNG

Para Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da TV Globo, o Brasil foi corajoso ao adotar, isoladamente, um padrão de TV digital que só estava em funcionamento no Japão. E ainda se propor a melhorar tal padrão. Embora não tenha ouvido alguns sussurros na platéia de evento organizado nesta sexta, 30, pela SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), dizendo que ?com o Pal-M também foi assim?, Bittencourt completou sua declaração dizendo que ?ceticismo é uma coisa normal em todas as inovações?, e complementando que o Brasil terá a "melhor TV digital do mundo". O evento aconteceu para que a área técnica da radiodifusão brasileira pudesse ter acesso às normas do ISDTV (o padrão brasileiro), já definidas pelo Fórum ISDTV.
Paulo Henrique Castro, engenheiro da Globo e coordenador do grupo que estabeleceu as normas no ISDTV Fórum (associação que já conta com 85 membros), apresentou as inovações do padrão, baseado no padrão japonês ISDB-T. Segundo ele, o Fórum trabalhou com a premissa de especificar apenas o necessário, aproveitando-se do que já estava especificado pelo padrão japonês. Outra premissa importante foi o de não deixar legado, ou seja, garantir que os equipamentos lançados agora sejam compatíveis com o padrão mesmo que este continue evoluindo (um televisor vendido no início das transmissões de TV no Brasil, na década de 50, ainda é capaz de receber os sinais transmitidos hoje, embora não exiba cores e o som seja mono).
O Forum definiu sete normas, das quais algumas sofreram nenhuma ou pouca alteração em relação às normas do padrão japonês, como é o caso da modulação e uso do espectro, que tiveram apenas que ser adequados às premissas do decreto que implantou a TV digital no Brasil.

Inovações

A codificação de áudio e de vídeo é totalmente nova no padrão brasileiro, usando o padrão H.264 em diferentes níveis e perfis. Para a transmissão fixa, será usado o H.264 ? HP@L4.0 nos formatos 480i, 480p, 720p e 1080i e na taxas de quadros 25, 30, 50 e 60 Hz. Paulo Henrique Castro explica que as taxas 25 e 50 Hz foram adotadas apenas para que o padrão possa ser usado em diferentes países, e no Brasil não serão usadas. Já a compressão de áudio será MPEG-4 AACa 48 kHz, nos perfis e níveis AAC@L4 e HE-AAC@L4, sendo que a primeiro é para som estéreo e a segunda para som 5.1. O engenheiro explicou que o uso do padrão Dolby no sistema brasileiro dependeria de um desenvolvimento de seis meses, extrapolando o prazo para a publicação das normas e acarretando em investimentos maiores.

Requisitos

Para os receptores, foram definidos alguns requisitos mínimos e outros opcionais. Será mandatório, por exemplo, suportar o formato de vídeo especificado para o padrão nacional. Mas questões como a possibilidade de upgrade do software ou a existência de controle remoto com suporte a interatividade para os receptores móveis são opcionais.
Na questão segurança, foram definidas três normas: uma com encriptação do conteúdo transmitido, que só será adotada caso haja uma legislação específica; outra para interfaces, permitindo que as pessoas assistam ao conteúdo ao vivo com reolução máxima, mas que só possam gravar com 480 linhas; e outra para ferramentas adicionais, como cartões de segurança, mas que ainda não foi aprovada.
O canal de retorno poderá se dar por qualquer plataforma existente. Os set-top boxes poderão ter portas de rede, modem, ou ainda wi-fi, GPRS, conforme a opção do fabricante. Também foram contempladas infra-estruturas ainda por vir, já que as caixas contarão com uma porta USB que poderá receber um dispositivo de comunicação.

Ginga

Outra novidade é o middleware Ginga. Segundo Luiz Fernando Gomes Soares, da PUC-Rio, responsável pela especificação desta norma, o middleware nacional será compatível com softwares desenvolvidos para os middlewares dos padrões internacionais, assim como os softwares desenvolvidos para o Ginga também rodarão nos internacionais. A grande diferença é no uso memória e de processamento do sistema brasileiro, muito mais racional que os modelos internacionais. Segundo explicou o acadêmico, os middlewares adotados nos três sistemas internacionais são mais pesados, pois agregaram diferentes linguagens de programação, muitas vezes duplicando funções.

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