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Banda larga
Wi-Fi residencial é o novo alvo estratégico para operadoras
terça-feira, 21 de junho de 2016 , 19h35

A última milha deixou de ser de cobre, cabo ou fibra e passou a ser o Wi-Fi. Embora cada uma tenha estratégia diferente para entregar a banda larga com velocidades cada vez maiores até o roteador sem fio, a visão de disponibilizar a Internet via Wi-Fi com qualidade para o usuário é a mesma para as quatro maiores operadoras brasileiras – Oi, Telefônica, América Móvil (Net) e TIM -, conforme revelaram os responsáveis pelas áreas de redes dessas empresas durante o Broadband Forum nesta terça, 21, em São Paulo.

O diretor de produtos fixos da Telefônica/Vivo, André Krieger, confirmou a este noticiário que a companhia, que já atua desde abril com velocidades de até 300 Mbps em sua arquitetura de fibra até a residência (FTTH ) e até o armário (FTTc), estuda maneiras de entregar essa mesma capacidade no acesso sem fio na casa inteira e em todos os dispositivos. De acordo com Krieger, o cliente já não diferencia tanto velocidades acima de 30 Mbps, o problema é no acesso após o fio. "A diferença é como vai ser a experiência do Wi-Fi", afirma. Para tanto, lançaram também em abril um projeto global (Brasil, Espanha e América Latina) de um roteador com 4 x 4 antenas, padrão 802.11ac, múltiplas entradas e saídas (MIMO) e chipset com antena, "que é a melhor performance que tem – o roteador entrega experiência, se o cara contrata 200 Mbps, ele tem 200 Mbps".

Há problemas em oferecer um equipamento com tecnologia tão avançada: ainda são poucos os dispositivos compatíveis, como o iPhone 6 em diante e o Galaxy 6 em diante. Além disso, há a delimitação de alcance com a rede de 5 GHz. "Estamos estudando como fazer. O roteador em si não é caro, o repetidor é barato, se pensar no custo todo. O problema é como entrego isso como operadora, porque se entrego ao cliente, vira minha responsabilidade e o desafio está nisso, de como entregar uma solução de carrier grade, no nível da operadora", detalha. Ou seja: para garantir a qualidade de serviço também em repetidores Wi-Fi, a empresa precisaria poder acessa-los remotamente para manutenção e eventuais atualizações, como já faz com os modems atuais.

Estratégia semelhante tem a Net. O diretor de marketing Márcio Carvalho diz que a empresa acompanha a evolução na tecnologia Wi-Fi, incluindo o padrão 802.11ac e rádios 3 x 3 e 4 x 4 para aumentar o alcance, a capacidade e a confiabilidade. Mas ele ressalta que também trabalha para determinar melhor os canais de transmissão, já que há problemas de interferências com a quantidade de sinais em prédios. "Estamos atualizando especificações de Wi-Fi de nossos roteadores, buscando dar ferramentas", diz. A possibilidade de repetidores também existe, e a Net já oferece "em algumas situações e como um serviço adicional que a gente cobra do assinante para instalar".

Atenção também na infraestrutura

O diretor de implantação de rede da TIM, Cícero Olivieri, lembra que a infraestrutura de sua empresa é mais recente e, portanto, não conta com gargalo em backhaul e em capacidade, já que foi desenhada pensando em peerings e redes de entrega de conteúdo (CDNs). "A percepção do cliente é maior que o ponto de acesso, então a última milha é wireless, e vai ficando cada vez mais; a grande preocupação é garantir como será o Wi-Fi", diz. "Quando não entrega, o nível de insatisfação é muito grande, mas se entregar o que promete, passa a ser o grande diferencial e desafio."

Pelo lado da Oi, que enfrenta problemas maiores, há um desafio de investimento ainda na infraestrutura de core de rede, recentemente atualizado com equipamentos de transporte ótico (OTN) para 100 GB e com arquitetura single edge, projeto anunciado em abril do ano passado em parceria com a fornecedora Alcatel-Lucent (atualmente parte da Nokia). "Trabalhamos para reduzir o (fio) metálico, tem de levar armários cada vez mais próximo ao cliente, e trabalhamos na 'oticalização' das localidades, levando atendimento com backhaul de fibra para melhorar a velocidade e aumentar o mix de velocidade do usuário, que hoje vai de 2 Mbps a 35 Mbps em xDSL e de 100 Mbps a 200 Mbps em fibra", explica o diretor de tecnologia e plataforma de serviços da Oi, Mauro Fukuda. Para a "última milha de Wi-Fi", ele diz que a empresa faz a gestão remota de modems e que planeja fazer homologação desses equipamentos com "especificação mais rígida, no sentido de termos a garantia de um equipamento de melhor qualidade na ponta do usuário".

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