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Telefonia fixa
Estudo da Abrafix aponta baixa rentabilidade das teles
terça-feira, 22 de junho de 2004 , 15h38 | POR REDAÇÃO

A Abrafix, associação que reúne as concessionárias de telefonia fixa local, divulgou nesta terça, 22, estudo encomendado à Accenture e à Guerreiro Teleconsult com o objetivo de demonstrar a suposta baixa rentabilidade das empresas de telefonia fixa local brasileira em comparação com algumas empresas de todo o mundo. O estudo comparou os dados de 2000 a 2002 das cinco concessionárias brasileiras aos dados de empresas de mais quatro mercados emergentes (África do Sul, Argentina, México e Venezuela) e nove de mercados considerados maduros (Austrália, Alemanha, Canadá, Coréia, Espanha, França, Itália, Portugal e Reino Unido).
A conclusão foi de que é baixa a rentabilidade das empresas brasileiras (o que acarretaria diminuição da capacidade de investimento) e alertou para a necessidade de medidas que estimulem a continuidade do desenvolvimento do setor ?para não vivermos um ciclo de baixa, que pode provocar um atraso significativo para o setor em relação ao resto do mundo?. Os consultores alertam ainda para o fato de a telefonia fixa, na prática, viabilizar a telefonia móvel pré-paga pela transferência dos recursos do tráfego. Na opinião da Abrafix, o estudo tem também o objetivo prático de ?defender? as empresas de telefonia de ?aventuras inconseqüentes?, como é o caso da tentativa de ?acabar com a assinatura básica no serviço?, iniciativa que vem se desenvolvendo por meio de projetos em discussão no Congresso.

Previsão errada

Na opinião dos consultores contratados pela associação, o trabalho realizado pelas empresas brasileiras seguiu o modelo previsto após a privatização, que foi "um verdadeiro sucesso", mas o mercado não se comportou exatamente como o previsto, especialmente os índices de desenvolvimento do País, que ficaram muito abaixo do que se previa na época. No período analisado, ?além de apresentar renda per capita abaixo da média, o Brasil teve a terceria maior retração anual (-6,7%) entre os países considerados na amostra, perdendo apenas para a Argentina (que teve uma forte desvalorização cambial) e a África do Sul?. Ainda segundo os consultores, o Brasil apresenta uma enorme concentração de renda, uma das maiores do mundo, o que acaba se tornando um fator limitador para o desenvolvimento do setor.
Os consultores consideram ainda que o estabelecimento de metas de universalização extremamente ousadas ?possibilitou a inclusão de 6,2 milhões de domicílios das classes D e E levando o telefone a cerda de 20 milhões de usuários de baixíssimo poder aquisitivo?. Ao mesmo tempo as metas de qualidades no Brasil ?são mais rigorosas tanto entre os países emergentes quanto em relação àquelas dos países desenvolvidos?, o que implica mais custos sem retorno.

O futuro

Fundamentando suas preocupações em relação ao futuro, o estudo lista alguns fatos que deveriam preocupar a sociedade. Neste sentido, os consultores identificam ?a intensificação da convergência dos serviços de voz, dados e vídeo (denominados triple play) e a diversificação da competição nos vários mercados, especialmente a competição com os serviços móveis; as obrigações adicionais do novo PGMU sem fontes externas de financiamento; e a imposição do unbundling?.
As consultorias não consideraram o impacto sobre a rentabilidade das empresas de telefonia fixa dos serviços de longa distância (mesmo em regime de alta competição) dos serviços de dados, especialmente a implantação acelerada do ADSL em todas elas, como a forma de aumentar a rentabilidade das empresas pela sinergia que a enorme base de telefonia fixa local certamente permite. Também não foi considerado o alto índice de digitalização da rede de telefonia no Brasil (praticamente toda renovada no período considerado pelo estudo), o que pode ser um diferencial importante para o futuro das telecomunicações fixas no País (e evidentemente para as empresas que detém a propriedade destas redes).
Na opinião da Abrafix, o futuro do setor de telecomunicações no País não pode ficar à mercê das iniciativas de investimento tomadas individualmente por cada empresa, mas por um projeto que precisa ser discutido por toda a sociedade e pelo governo.

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