Oi não espera impacto do coronavírus na fibra, mas inadimplência preocupa

A Oi submeteu na noite desta quinta, 30, relatório para a comissão de valores norte-americana, a Securities Exchange Commission (SEC), detalhado demonstrações financeiras e fatos relevantes de 2019. Porém, no extenso documento de mais de 300 páginas, a empresa também comentou impactos iniciais da pandemia do coronavírus (covid-19) nas operações, bem como expectativas em relação ao que isso pode significar para a companhia no futuro. A empresa espera efeitos negativos na receita e no fluxo de caixa por conta da inadimplência, sobretudo no serviço móvel e no segmento corporativo. Por outro lado, não antevê impactos significativos para a Internet fixa.

Importante lembrar que o documento enviado ao regulador norte-americano procura tratar de todos os riscos e imprevisibilidades. Apesar das várias considerações hipotéticas a respeito de futuros eventos, a empresa destacou fatos em contexto. A Oi diz que ainda não foi possível quantificar impacto material relacionado à covid-19, considerando ainda ser cedo para determinar a extensão da crise.

Porém, diz que observou aumento na demanda da banda larga, "incluindo serviços entregues pela expansão da rede FTTH, tanto do cliente residencial como B2B, enquanto eles estabelecem o trabalho remoto". Embora tenha cessado a venda de porta em porta, lembra que os serviços fixos podem ser menos dependentes de vendas físicas.

Ainda que não espere muitos efeitos negativos no projeto de expansão da fibra, a empresa diz ter sentido impacto com a dificuldade de times de campo para instalação de infraestrutura, especialmente para obter alojamento e alimentação, ou até para o transporte entre cidades.

"A companhia não espera uma redução nas novas ativações ou que upgrades de serviços [fixos] sejam afetados no mesmo nível dos serviços móveis", diz o documento. Isso porque a companhia espera um que a pandemia traga reflexos negativos na renda do consumidor, sobretudo os de baixa renda e corporativos, "alguns dos quais podem encerrar operações", o que poderia afetar a condição financeira e operacional da operadora.

Outros efeitos

Por conta da covid-19, há ainda o impacto no pré-pago. A Oi fechou diversos pontos de venda, ainda que alguns continuem funcionando (farmácias, supermercados). Por isso, espera redução significativa nas novas ativações e "efeitos adversos" na receita de recargas do pré-pago. Por outro lado, entende que isso afetará todas as operadoras igualmente, e por vê que haverá redução no churn (fuga de clientes).

Destaca ainda que qualquer medida do governo que obrigue a manutenção de serviços para inadimplentes poderia levar a declínio no fluxo de caixa das operações e aumento das perdas esperadas. As medidas de flexibilidade de pagamento de contas atrasadas já deverão ter um efeito adverso na receita e no fluxo de caixa operacional durante o período. Segundo o documento, a operadora já começou a observar "alguns atrasos" de pagamentos de clientes corporativos e governamentais. 

Um impacto indireto também foi sentido na dívida e nos custos da operadora: a desvalorização do real frente ao dólar, impulsionada por fatores internos e pelo início da pandemia ainda em dezembro de 2019. Por isso, a Oi diz que acredita ser "provável que, até 31 de março de 2020, não poderíamos estar em conformidade com mais de um desses rateios financeiros". Para lidar com isso, afirma que obteve uma renúncia de exigências de empréstimos (waiver) do BNDES no dia 30 de março. Pelo menos até o momento, a Oi diz não ter sentido impacto da pandemia na cadeia de fornecedores de equipamentos.

Migrações

O documento também traz considerações sobre a regulamentação da Lei nº 13.878/2019, o novo modelo (antigo PLC 79). Em relação à possibilidade de migrar a concessão para o regime de autorização, a Oi diz que, até o momento, "não decidiu que opção escolherá e não pode prever o custo de implantar quaisquer dessas opções".

Venda da Oi Móvel

Sobre a venda da Oi Móvel, a companhia apenas menciona que o assessor financeiro Bank of America Merrill Lynch recebeu "manifestações de interesses de vários investidores [estratégicos]" em março, mas que continua a analisar as condições. Declara também que está já "entrando em discussões com alguns desses investidores sobre assuntos de due dilligence", mas ressalta que não entrou em nenhum acordo – até por não poder fazer isso sem a aprovação do Juízo da Recuperação Judicial.

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