Telebrás cogita uso da faixa de 450 MHz em caráter secundário, caso teles tenham prioridade

Caso as concessionárias de telefonia fixa fiquem mesmo com a prioridade no uso da faixa de 450 MHz, como está sendo negociado com o governo na definição das metas de banda larga rural do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), a Telebrás já tem um plano B para não ficar sem a possibilidade de oferecer cobertura rural. Segundo o presidente da operadora estatal, Rogério Santanna, a Telebrás não vê nenhum problema de operar na faixa de 450 MHz em caráter secundário. "O que vamos pedir ao governo é para poder usar a faixa em caráter secundário, porque tenho certeza que nenhuma tele vai utilizá-la", diz Santanna. Ele acredita que as operadoras de telecomunicações optarão por usar a faixa de 900 MHz para o serviço rural, caso sejam obrigadas a cumprir alguma meta nesse sentido. "Elas já têm essa faixa para o serviço móvel e para eles sairá mais barato ficar onde estão do que fazer uma rede nova para 450 MHz". O uso em caráter secundário significa, para a Telebrás, que ela não estará protegida contra interferências e não poderá causar interferência em nenhuma operação que tenha a faixa em caráter primário. "Mas isso não é problema, porque a faixa de 450 MHz é limpa na maior parte dos municípios brasileiros, principalmente nas áreas rurais, e até mesmo em alguns grandes centros ela está liberada", diz Santanna, lembrando que o mesmo acontece com outras faixas para banda larga, como 3,5 GHz e 2,5 GHz.
Vale lembrar que em março a Telebrás formalizou ao Ministério das Comunicações o desejo de utilizar a faixa de 450 MHz para fazer a cobertura rural. Pelos cálculos da estatal, seriam necessários investimentos de R$ 600 milhões para criar uma rede que cobrisse o Brasil com acesso por meio de 450 MHz. A intenção da empresa é desenvolver com a indústria nacional a tecnologia WiMax para a faixa de 450 MHz, o que poderia ser feito em cerca de dois anos, segundo Santanna. Segundo ele, é esse o tempo necessário para ver se as concessionárias irão mesmo utlizar os 450 MHz.
O governo está realmente propenso, segundo fontes que acompanham as negociações do PGMU, a reservar esta faixa para as concessionárias fixas em troca de metas de cobertura rural para telefonia e banda larga. A Telebrás não seria priorizada.
Sinal verde
A Telebrás pretende anunciar nas próximas semanas o primeiro provedor de acesso conectado por meio do link da estatal. O município em que isso deverá acontecer ainda é tratado em segredo, mas segundo Santanna, "estamos trabalhando para que ele seja ativado até meados de junho". Feito isso, diz Santanna, a Telebrás marca o início da fase efetivamente operacional da empresa, com clientes ativos e geração de receita.

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