Viber diz que diferencial dos serviços OTT é inovação, mas propõe cooperação com as teles

O evento de mobilidade Mobile World Congress, que acontece esta semana em Barcelona, também tem sido palco para os novos "inimigos" das operadoras de telecomunicações, como os provedores de conteúdos over-the-top. Um exemplo é o Viber, que está erodindo os serviços de voz das operadoras.

Para o CEO da empresa, Talmon Marco, o que está fazendo os usuários de telefonia celular adotarem plataformas como o próprio Viber, WhatsApp, Skype e outros serviços over-the-top não é o fato de serem gratuitos, mas de serem inovadores. Esses serviços estão substituindo, com o uso das redes banda larga, serviços pelos quais as operadoras tradicionalmente cobravam, como SMS e voz. "Em Mônaco há 35 mil habitantes e a operadora local dá o serviço de SMS de graça. E ainda assim temos 31 mil pessoas que usam o Viber regularmente. Isso prova que não é uma questão de preço, mas de diferença entre o produto tradicional e o que oferecemos", diz ele. O Viber permite a troca de mensagens com imagens, conversas em grupo, conversas de voz gratuitas e confirmação de entrega e leitura de mensagens como diferencial, por exemplo, e esse tipo de inovação, segundo Marco, não é vista em produtos tradicionais.

Mas esses e outros serviços OTT têm um problema do ponto de vista do usuário: quase sempre exigem que os usuários estejam todos ligados à mesma plataforma. No caso do Viber, são 175 milhões de usuários, que precisam todos ter o aplicativo instalado para falarem entre si. "A razão pela qual não interoperamos é porque isso impede que inovemos. Não é possível fazer as duas coisas", diz Talmon Marco. "Por isso é que as operadoras tradicionais estão onde estão, porque para conseguirem inovar, precisam se mover todas de uma vez na mesma direção", diz ele.
Para ele, o caminho está muito claro: aos provedores over-the-top caberá inovar em serviços de voz, vídeos e mensagens, e às operadoras caberá a conectividade e transporte. "Isso não quer dizer que não seja possível cooperar, em que um lado complemente o outro", disse ele.

Exemplos do que coloca o CEO da Viber existem aos montes na edição deste ano da Mobile World Congress. São operadoras tradicionais e fabricantes de handsets que, para desenvolverem novas áreas de negócio ou complementarem seus serviços, estão se associando a provedores OTT. "A Samsung por exemplo tem um acordo com a Dropbox para serviços de cloud, assim como a T-Mobile com o Box. E nós estamos fazendo um acordo com a operadora Axis, da Indonésia, para serviços de voz e mensagens avançadas".

Talmon Marco deixa claro que o negócio de sua empresa é ganhar dinheiro, e não mudar a forma como as pessoas se comunicam só por ideologia. "Por enquanto não estamos ganhando nada, mas não temos nenhum problema de compartilhar receitas com as operadoras por um serviço com qualidade diferenciada ou pelo uso do billing", disse ele.
Já Suk-Chae Lee, CEO da KT, uma das maiores operadoras da Coreia do Sul,  insiste que é preciso haver um equilíbrio enre os investimentos feitos e quanto os novos serviços tiram de receitas do setor, ou compartilhem os investimentos. "Ninguém pode parar o OTT (Coreano). E sem dúvida temos que aproveitar o potencial. A questão  é quem paga a conta. Nós estamos pagando. É uma questão de equilíbrio", disse.

Na mesma linha, durante o debate, foi René Obermann, CEO da Deutsche Telekom, "É o paradigma do OTT: você investe e eu ganho. Esse paradigma não é sustentável no longo prazo. Os recursos são escassos", disse ele.

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