TV everywhere ainda depende de negociação entre operadores e donos do conteúdo

A TV por assinatura já não vê o over-the-top (OTT) como uma ameaça, mas como parte do serviço a ser oferecido ao assinante, através das plataformas de TV everywhere. No entanto, há muito o que ser negociado entre os agentes do setor. Em painel sobre o tema nesta quarta, 9, na CES, que acontece esta semana em Las Vegas, Steve Harris, vice-presidente de novas mídias da operadora Scripps Network Interactive, afirmou que há alguns anos o OTT significava uma forma de distribuição concorrente à TV por assinatura, mas que hoje isto já é parte do serviço. A dificuldade atual dos operadores é oferecer o conteúdo em múltiplas plataformas, o que passa não apenas por uma questão tecnológica, mas por muita negociação com os detentores de conteúdo.

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Segundo Chris Wagner, vice-presidente executivo da neuLion – que fornece tecnologia para distribuição de conteúdo por demanda e ao vivo online por múltiplas plataformas –, a estratégia de TV everywhere das operadoras, por enquanto, se resume a "qualquer lugar da casa do assinante". Isto porque as operadoras ainda não conseguiram negociar os direitos para levar o conteúdo para fora das casas.

Marty Roberts, vice-presidente de vendas e marketing da empresa de publicação e gerenciamento de vídeo online thePlatform, diz que a questão é uma conversa em andamento entre operadores e os donos dos conteúdos. "Operadoras e programadoras já estão negociando", garante. No entanto, há entre as partes uma "batalha", diz Jeffrey Binder, da Genovation Capital. Segundo eles, a tendência entre os donos do conteúdo é permitir que o conteúdo seja oferecido efetivamente em qualquer lugar pelas operadoras, mas em seus termos, que ainda não estão claros.

Monetização

Falando sob a perspectiva do detentor de conteúdo, David Del Beccaro, presidente da rede multiplataforma Music Choice, diz que os operadores precisam estar preparados para levar à negociação a oferta de dados sobre o consumo do conteúdo. "Nós precisamos saber o que está sendo assistido e onde, para podermos explorar a publicidade", destaca. Para ele, no entanto, a possibilidade de gerar receita significativa com publicidade na distribuição multiplataforma não deve acontecer em um curto prazo. "Acredito que em um ano, a negociação entre prestadores de serviço e donos de conteúdo estará resolvida. Mas as receitas com publicidades estão em um horizonte mais distante. Talvez quatro anos", arrisca.

Beccaro minimizou a possibilidade de os serviços OTT não vinculados ao serviço de TV paga canibalizarem este serviço. "Está cada vez mais difícil convencer o consumido a assinar um conteúdo. Acho que o serviço multicanal sempre será a principal fonte de conteúdo", diz.

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