A tecnologia como aliada no desenvolvimento das cidades brasileiras

Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis Brasil Digital

Há muito tempo se discutem sérios problemas estruturais experimentados em muitas cidades brasileiras: déficits flagrantes em setores básicos como saneamento, segurança, educação e mobilidade urbana impactam diretamente a vida das pessoas. O endereçamento de soluções para esses problemas passa necessariamente por uma gestão mais eficiente e moderna, com os benefícios decorrente de uma tecnologia mais avançada. A chegada do 5G, prevista para setembro deste ano nas capitais brasileiras, será uma grande aliada no processo de transformação digital do país e pode tornar as cidades cada vez mais inteligentes e conectadas.

A implantação dessa nova tecnologia vai permitir, por exemplo, o desenvolvimento da Internet das Coisas (IoT) no dia a dia dos brasileiros por meio da maior conectividade das cidades e adoção de recursos inovadores, como inteligência artificial, machine learning e redes de dados de alta densidade e velocidade. Essa infraestrutura vai permitir a integração entre internet e objetos por meio de conexões mais seguras e estáveis.  

Será possível criar soluções mais efetivas nos setores de abastecimento de água, energia, processamento de lixo, trânsito, segurança, entre outros, e com isso criar um ambiente integrado e com mais qualidade para a população e maior respeito ao meio ambiente. O 5G permitirá uma conexão mais rápida que deve produzir informações em tempo real que facilitem serviços prestados à população. De acordo com a consultoria McKinsey, uma cidade de 5 milhões de habitantes que faça investimentos para se tornar mais conectada com o 5G, pode diminuir a criminalidade em 40%, além de reduzir os gastos com saúde pública em 15%.

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Embora o Brasil ainda tenha uma longa jornada pela frente, algumas cidades já estão fazendo o dever de casa: de acordo com o Ranking de Serviços de Cidades Inteligentes elaborado pela Teleco para a Conexis Brasil Digital, Uberlândia (MG) é a cidade mais avançada, com uma boa cobertura de internet por meio de fibra óptica e acesso facilitado a esse serviço, além de incentivo à criação de incubadoras de empresas e uma mão de obra qualificada. Em seguida aparecem Campo Grande (MS), Fortaleza (CE), Santo André (SP) e Belo Horizonte (MG).  O levantamento avalia, entre os 100 municípios mais populosos do Brasil, aqueles que estão ofertando serviços considerados inteligentes ao cidadão, utilizando os meios digitais e que já se preparam para a uso do 5G.

Em outros países, há boas referências. De acordo com o Índice IESE Cities in Motion, Londres e Nova York disputam há alguns anos liderança no ranking de cidades mais inteligentes do mundo. Outras grandes metrópoles vêm a seguir, como Paris, Tóquio e Hong Kong. Enquanto Singapura já tem uma frota de ônibus autônomos e São Francisco investiu em aplicativos de mobilidade para deficientes visuais e para ciclistas (apontando as melhores rotas da cidade), Tóquio aproveitou as últimas Olimpíadas para construir uma Vila Olímpica abastecida por hidrogênio, consideravelmente mais limpa que outras fontes de energia (investindo fortemente no pilar de meio ambiente que caracteriza as cidades inteligentes).

O que caracteriza o sucesso de todas essas cidades na implementação de soluções tecnológicas inteligentes é o compromisso da gestão pública em criar as condições necessárias para a modernização dos espaços urbanos.

Estas condições necessárias não podem estar restritas somente à implementação das antenas 5G, que, com certeza, serão necessárias em quantidade muito superior à de redes 4G.  Referem-se também, e principalmente, à instalação de infraestrutura de fibra ótica para conectar todas estas redes ao core da rede de telecomunicações e permitir que as informações trafeguem pela internet. O Brasil, em todas as esferas de Governo, ainda precisa avançar muito em questões fundamentais, como a diminuição da carga tributária, uso adequado dos fundos setoriais, atualização das leis municipais de antenas, entre tantas outras iniciativas.

Fundamental perceber que o retorno para a sociedade não se dará somente pelos investimentos das operadoras de telecomunicações na implementação destas redes, mas em todo um conjunto de novos de negócios que irá surgir com a nova tecnologia. Ou seja, o setor de telecomunicações terá um efeito multiplicador para os demais setores, inclusive permitindo a criação de novos negócios que sequer podem ser imaginados hoje. Será uma grande oportunidade para o Brasil em atrair novos investimentos em equipamentos e serviços, aumentando a renda para todos os brasileiros.

Mas, para tanto, é preciso haver projetos sólidos de políticas públicas que fomentem a conectividade e estimulem o avanço tecnológico. O 5G, cada vez mais próximo, é um aliado imprescindível para o desenvolvimento das cidades brasileiras, mas seu potencial corre o risco de não ser bem aproveitado se não houver avanço nessas questões fundamentais.

Por fim, para que a evolução tecnológica trazida pelo 5G possa alcançar seu potencial, é essencial que sejam investidos recursos também na capacitação das pessoas. Não se trata aqui dos técnicos que implementam e operam estas redes, mas dos usuários. É fundamental que todos conheçam a tecnologia de forma a criar ainda mais usos e benefícios para assim explorar essa grande oportunidade de transformação social.

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