Abert contesta cálculo da Anatel para meta de cobertura para o desligamento

O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slavieiro, disse nesta terça-feira, 7, que o cálculo da Anatel da meta de cobertura de TV digital necessária para atingir 93% dos domicílios é equivocado. Pelos números da agência, defendidos no Gired – grupo de implantação da digitalização –, o sinal analógico só pode ser desligado quando 93% das casas dos brasileiros estiverem aptas a receber o sinal digital, sem contabilizar os domicílios atendidos só pela TV por assinatura e os que recebem o sinal via parabólica, na banda C. No entendimento da Abert, só poderiam sair desse cálculo os domicílios onde não há o sinal da TV aberta terrestre.

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Nas estimativas da Anatel, o número de domicílios a ser atingido ficaria abaixo da metade dos lares brasileiros, em torno de 30 milhões, de um total de 66 milhões. E desses, quase metade – 14 milhões – seriam contemplados pelo conversor que as teles vão comprar para os beneficiários do Bolsa Família, como prevê o edital da venda da frequência de 700 MHz. Nas contas da Abert, o número de domicílios que necessitaria de um aparelho de TV com conversor interno ou de um sep-top box seria muito maior. "O número exato depende de um levantamento em todo o País sobre os municípios, bairros, zonas rurais aonde não chega o sinal de TV terrestre", disse Slavieiro.

O presidente da Abert disse que irá debater essa discrepância no Gired. "Nossas discussões são sempre em alto nível e acho que chegaremos a um consenso", disse Slavieiro. Para ele, o decreto do governo que estabelece as condições do switch-off deixa bem clara a posição que defende. "Não há exclusões desse nível no texto", afirmou.

Set-tops interativos

Sobre a escolha do modelo dos conversores da TV digital que serão distribuídos entre os beneficiários do Bolsa Família, Slavieiro afirmou que o preço definirá a escolha. "Vamos escolher o que há de mais avançado com um preço razoável; afinal, não podemos gastar todos os recursos da digitalização com a caixinha, tem mais coisas a pagar com esse dinheiro", disse.

A EAD – empresa de administração da digitalização, formada pelas teles – tem orçamento de R$ 3,6 bilhões para todo o processo. Além das caixinhas, tem os gastos com a limpeza da faixa (remanejamento de canais e ressarcimento de radiodifusores), compra de equipamentos de transmissão da TV, filtros e antenas. Além da campanha informativa e da manutenção do call center.

A escolha do modelo será feita no dia 29 deste mês, durante a reunião do Gired. Para isso, estão sendo orçadas 24 possibilidades diferentes da caixinha. Para o secretário de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Emiliano José, o governo defende o uso do Ginga alto, ou seja, a interatividade total.

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