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ABTA 2011
De olho no futuro, Brasil experimenta VOD e TV Everywhere
terça-feira, 09 de agosto de 2011 , 20h08 | POR LETÍCIA CORDEIRO

A massificação do acesso à Internet e a chegada de serviços over-the-top (OTT) e do modelo de TV Everywhere estão mudando o mercado de distribuição de conteúdos. Esse foi o tema da primeira sessão especial de mercado da ABTA 2011, principal evento da indústria de triple play da América Latina, que acontece até quinta-feira, 11, em São Paulo.
Ainda é difícil medir o verdadeiro impacto dos novos serviços de distribuição online de conteúdos no negócio das operadoras tradicionais de TV por assinatura, mas, ao que tudo indica, operadores e programadores parecem não querer esperar e pagar pra ver – todos de alguma maneira se movimentam no sentido de oferecer cada vez mais conteúdos on demand em múltiplas plataformas para atender à demanda desses consumidores conectados.
O principal consultor da Farncombe, Barry Flynn, destacou em sua apresentação que embora o consumo de vídeos online esteja crescendo a taxas altíssimas, a maior parte dele é ainda é composta por conteúdos gerados pelo usuário (UGC, na sigla em inglês). No Reino Unido, por exemplo, essa proporção é de 70%. "Temos cenários diferentes na Europa e nos Estados Unidos. Na Europa, o que vemos é pouca opção de conteúdos premium no modelo OTT e praticamente ninguém paga para ter o serviço, funciona principalmente no modelo baseado em publicidade. Já nos Estados Unidos, que tem uma alta penetração de TV a cabo, o usuário está acostumado a pagar pelo conteúdo e por isso vemos sucesso no modelo da Netflix", compara Flynn. Para o head of global media and entertainment da PriceWaterhouse Coopers, Marcel Fenez, o que fará com que usuários paguem pelo conteúdo são atributos de conveniência, experiência, qualidade, que podem garantir um modelo de negócios sustentável, rentável e engajado com o consumidor. "Os OTTs ainda não estão tendo grande impacto hoje na receita das operadoras tradicionais, principalmente por conta dos eventos ao vivo, que mantêm a maior parte dos consumidores", avalia.
Ainda com relação ao mercado norte-americano, especificamente, Flynn ressaltou que embora tenha havido redução da base de assinantes de cabo nos EUA, ainda não se pode afirmar que o fenômeno dos "cable cutters" se trata de uma substituição do serviço de TV por assinatura tradicional por serviços OTT. "Ainda é cedo para afirmar que estão cortando o serviço de cabos por conta do OTT e que isso não seja um reflexo da recessão econômica por que o país está passando", enfatiza.
Killer application
Para Flynn, o "killer application" para a televisão é mais televisão. "A BBC lançou no Reino Unido em novembro de 2010 o seu player de streaming online de conteúdo e os resultados mostram que cerca de três vezes mais espectadores assistindo à programação no serviço catch-up disponível no VOD da Virgin (operadora de TV paga) do que no computador", conta. A qualidade e a experiência de assistir conteúdos na TV devem garantir vida longa ao negócio de TV por assinatura tradicional. "As operadoras de TV por assinatura, canais e programadores em todo o mundo estão trabalhando para oferecer seus conteúdos onde o assinante desejar, no modelo de TV Everywhere, investindo cada vez mais em transmissões de eventos ao vivo e evoluindo tecnologicamente da alta definição para o 3D como diferencial para manter e crescer sua base de assinantes", destaca o executivo da Farncombe.
Brasil
A Net Serviços está procurando se blindar contra o avanço de provedores de serviço over-the-top, antes mesmo da chegada da "temida" Netflix ao País, esperada para setembro deste ano, e está ampliando a oferta de conteúdos no Now, seu serviço de vídeo on demand, inclusive com títulos 3D. "Temos de reconhecer que existem outras plataformas e temos de melhorar a experiência do nosso usuário. Não é mais dinheiro, é mais experiência para o usuário que paga a TV por assinatura", afirma o diretor de programação da Net Servicos, Fernando Magalhães.
O diretor de mídias digitais da Globosat, Gustavo Ramos, deixou claro que a programadora brasileira não está disposta a esperar para descobrir se a TV Everywhere será sucesso no Brasil: "Temos um mercado relativamente estável na Europa e relativamente pequeno nos EUA. Se o consumidor brasileiro, que comprou 10 milhões TVs no último vai querer mobilidade no conteúdo, não importa. Não vamos esperar para descobrir". A Globosat aproveitou a ABTA 2011 para anunciar que seu serviço de TV Everywhere nomeado "Muu", com mais de 5 mil vídeos do acervo de 20 anos da Globosat, estará disponível para assinantes da Net Serviços.
"Inovar não é caro nesse mercado. Aproveitamos parcerias, apresentamos o produto para a Net e rapidamente fechamos o contrato do serviço", conta Ramos, que garantiu que o serviço Muu não será exclusivo da Net. O diretor de planejamento e operações da TVA/Telefônica, Virgílio Amaral, rebateu ironicamente a afirmação: "Parabéns para a Globosat que fechou tão rápido com a Net, enquanto nós da TVA ficamos sabendo do serviço apenas aqui no evento".
Investimentos
Outro ponto levantado durante o painel foi a questão dos grandes investimentos necessários para oferecer as redes de banda larga com cada vez mais velocidade e preços cada vez menores para os assinantes, redes estas que acabam sendo utilizadas para o acesso aos serviços OTT. Na opinião de Fernando Magalhães, da Net, "o assinante que contrata banda larga tem direito de acessar o que quiser. O nome do jogo é melhorar tecnologicamente e dar opções para o seu assinante". Virgílio Amaral lembrou que essa questão passa pela discussão sobre neutralidade de rede. "As operadoras não vão querer oferecer só a conexão, porque será commodity. Tem que prover serviços. O grande desafio é que o mundo digital é de rápida evolução e de obsolescência muito curta. Estamos trabalhando com a visão de que vamos ter o OTT dos programadores, mas teremos um novo mercado onde os assinantes vão poder optar pelo que querem ver e temos de começar a separar esses dois mundos."

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