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Mercado
Net pode se beneficiar da guerra entre teles, dizem analistas
quarta-feira, 02 de junho de 2004 , 20h39 | POR SÉRGIO SISTER

Cresce entre analistas do mercado de ações o consenso em torno da opinião de que a Net (e por tabela outras operadoras de cabo), de empresa-problema, muito endividada e com pouca capacidade de crescimento, pode se tornar uma jóia ambicionada por rigorosamente todas as operadoras de telefonia fixa.
Ouve-se no mercado que o empresário mexicano Carlos Slim não seria o único interessado na aquisição, senão da Net como um todo, ao menos na sua rede física, que chega a 1,35 milhão de assinantes e a um total de 6 milhões de domicílios dos principais mercados brasileiros ( 2,5milhões dos quais, considerados de qualidade para a aquisição de produtos telefônicos de valor agregado e banda larga, em particular).
A Telefônica, a Telemar e a Brasil Telecom – ex-aliadas na frustrada tentativa de compra da Embratel pelo consórcio Calais – também poderiam entrar na disputa pela operadora, por absoluta necessidade de crescimento.

Fim da amizade

Sem conseguir comprar a Embratel, as três operadoras ficaram sem estratégia de crescimento no curto prazo. Antes, ao que tudo indicava, elas tinham como objetivo dividir entre si os clientes corporativos da tele de longa distância, ficando cada uma no seu canto, sem bater nas concorrentes. Agora, sem essa opção, ou concorrem em área alheia ou já não têm como crescer. Elas só conseguiriam se expandir de verdade com banda larga e voz sobre IP, apostam analistas de mercado.
É aí que entram as operações de cabo. No caso da Net, a operadora pode fechar acordos operacionais com as quatro teles – com efeitos positivos sobre suas receitas – ou pode ser vendida, agora com um novo valor potencial para reduzir a pressão da dívida de R$ 6 bilhões de seu controlador principal, a Globopar. Até o momento, além de Slim, a Net tem um histórico de negociações com a Telecom Italia e com a Telefônica, dizem os analistas.
Para os acionistas minoritários da operadora de cabo,"micados", no jargão financeiro, com uma ação que vale menos de R$ 0,80, ainda é cedo para saber como ficam os fundamentos da empresa. A venda da rede física e simples reestruturação da dívida não significam necessariamente que o desempenho do negócio vai prosperar. Uma reestruturação, sem capital, pode significar, segundo esses analistas, uma nova alavancagem com novos problemas de endividamento. De qualquer maneira,o plano de reestruturação da Net será conhecido e possivelmente aprovado por todos os credores ainda em junho.

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