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Estratégia
TIM acredita que dados serão principal receita ainda este ano
quinta-feira, 12 de maio de 2016 , 18h04

Frente ao resultado de queda nos lucros e na receita apresentado no final da noite anterior, a teleconferência de resultados da TIM para analistas nesta quinta-feira, 12, procurou assegurar que, apesar de tudo, há tendências de melhoras. Em especial, a companhia deposita todas as fichas no crescimento de dados, que deverão superar os serviços tradicionais de voz como a fonte principal de receita da operadora já nos próximos trimestres e ainda este ano. Para tanto, manterá a política de investimento concentrado na infraestrutura, em especial para o LTE, e apertará ainda mais os cintos para promover corte nos custos.

Apesar de já ter encerrado seu mandato tanto como diretor presidente quanto conselheiro da TIM, Rodrigo Abreu conduziu parte da conferência e assegurou que seu substituto, Stefano De Angelis (que não estava presente, mas deverá assumir o comando "nas próximas duas semanas"), seguirá a política atual de foco em infraestrutura e capacidade.  "A estratégia em infraestrutura permanece porque é absolutamente necessária para estar no jogo dos dados", declarou. Abreu reconhece que a aposta no 4G levou tempo para se materializar, mas diz que está começando a dar frutos.

A receita de dados no período foi 43% do total (contra 35% no primeiro trimestre de 2015) de R$ 1,318 bilhão (considerando somente SVA e receitas "inovativas"). Abreu afirma que essa participação não foi maior por conta das tendências macroeconômicas, mas não duvida que haverá a transição para se tornar a maior fonte de receitas. "É apenas questão de tempo, e não de direção."

Novos planos

Contribui para o avanço dos dados a estratégia da TIM de promover os novos planos, que já respondem por 10% da base total da tele. Abreu ressalta que agora o foco é no novo portfólio com mais opções para o pré-pago e mais dados para a "captura de usuário pré com mais valor". Além disso, terá a volta do incentivo da migração dos planos pré para controle. A estratégia será retomada "após a estabilização e entendimento do impacto da nova oferta". No pós-pago, o foco será em ofertas com "maior valor com upselling e conceito de 'mais por mais'", em especial no plano de R$ 139/mês e 5 GB de franquia mensal.

O diretor de marketing da operadora, Rogério Takayanagi, explica que a empresa não oferece mais nesses novos planos a parceria de zero-rating com o WhatsApp, mas compensa com maior franquia e um bundle de voz e dados. Segundo o executivo, essa prática permite reduzir o impacto da diminuição da receita de voz e traz maior transparência e liberdade para o consumidor usar os dados como quiser. "A gente continua acreditando em parcerias com OTTs (over-the-tops), inclusive temos evoluído novas parcerias, seja com a Uber, recém-anunciada, seja com outros players", diz. O acordo com o Uber, anunciado no dia 15 de abril e prometido para maio, ainda não tem maiores detalhes revelados.

Takayanagi diz ainda que a empresa está crescendo em conteúdo, não apenas no SVA antigo (com serviços de SMS), citando serviço de streaming de música e soluções de segurança. "Naturalmente os dados vão ganhar importância, e de certa forma o que a gente observa com o bundling é a estabilização do ARPU (receita média por usuário), que é o que estamos buscando", afirma. "A consolidação do SIMcard é o movimento que a gente começou em novembro e vai nos ajudar muito." No reporte da TIM, o ARPU dos clientes 4G e pós-pago mostram tendência de crescimento. O mix de pós passou de 17% para 20% no comparativo anual. Atualmente, 14% da base é LTE, com o restante em 3G (55%) e 2G (31%), totalizando 67,3 milhões de acessos.

Outro fator que diminuiu no período foi a receita com aparelhos, que caiu 61,2% e ficou em R$ 236,7 milhões. O diretor de marketing acredita que isso não significa que há menor demanda. "A indústria está tentando achar alternativas para deixar (o aparelho) mais acessível, achando formas inovadoras como troca e seminovos", afirma Takayanagi.

Impacto

O CFO da empresa, Guglielmo Noya, confirma o otimismo de Abreu ao esperar que os impactos sentidos neste primeiro trimestre deverão ser reduzidos gradativamente. "Parte da pressão está relacionada a questões pontuais, como impacto da nova oferta, além da transição de voz para o modelo de dados. A expectativa é que o novo portfólio trará mais recorrência na recarga do pré, aumento de dados com mais penetração do 4G e com melhora do ARPU. E vamos seguir dinâmica de receita com disciplina muito rígida nos custos e grande foco na infraestrutura", declara, prometendo melhora em receitas móveis e EBTIDA já no próximo trimestre. A TIM ainda confirma que o plano de eficiência de custos para o triênio 2015-2017 e no valor total de R$ 1 bilhão está em 40%, com expectativa de economias de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões. "A TIM vai atuar com energia e responsabilidade para defender a rentabilidade capturando qualquer oportunidade e abordagem disruptiva para redução de custos", afirma Noya.

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