Japão tem 95% de penetração de banda larga móvel; maioria é pós-paga

A Ericsson afirma que até 2018 haverá 9 bilhões de acessos móveis no mundo, excluindo comunicações máquina-a-máquina (M2M); e desses, 5 bilhões serão de banda larga móvel. "Comparado com a evolução da banda larga fixa, é uma mudança dramática", disse o vice-presidente sênior da companhia, Douglas Gilstrap, durante conferência da fornecedora sueca em Tóquio nesta quinta, 31. Grande parte dessa transformação já está acontecendo no Japão, que conta com a marca de 95% de penetração de banda larga móvel, índice "três vezes acima da média mundial".

Mesmo o LTE tem penetração significante: 25% do mercado japonês, com previsão de chegar entre 30 milhões e 40 milhões de conexões no final do ano; e entre 130 milhões e 150 milhões em três anos. Para efeito de comparação, segundo dados da Anatel referentes a agosto, o Brasil possuía 398,6 mil acessos 4G, o que significa penetração de 0,20%, apesar de ser um serviço substancialmente mais novo no País. Mas o Japão não é o mais avançado do mundo: a Coreia do Sul tem penetração do LTE de 51% já em 2013.

Ainda assim, o mercado japonês se mostra tão ávido pela mobilidade que a banda larga móvel representará nove vezes mais acessos do que as conexões fixas no país em 2018. Na visão do diretor geral do gabinete de informação e comunicações do ministério de Relações Internas e Comunicações (MIC) do Japão, Charley Watanabe, a tendência de crescimento em um mercado já maduro tem explicação: uma competição mais agressiva. "Temos três operadoras (NTT DoCoMo, SoftBank e au, da KDDI Corporation), e, além disso, algumas boas operadoras Wi-Fi", disse ele. Watanabe afirma que isso levará também ao crescimento de dez vezes entre 2011 e 2018 na base de usuários de smartphone no mercado japonês, quando vai atingir 94 milhões de acessos.

Contra o OTT

No total de acessos móveis, a incumbent local, NTT DoCoMo, lidera com folga com 44,2% do mercado, contra 27,8% da au/KDDI e 24,2% da SoftBank. O Japão conta com 139,8 milhões de acessos, na soma de todas as tecnologias. Mas uma das coisas que mais chama a atenção é o modelo de tarifa para o usuário – de acordo com o vice-presidente executivo da NTT, Hiroyasu Asami, a tele conta com uma base de 99,7% de acessos pós-pagos. Para rentabilizar isso, a operadora tem procurado oferecer serviços over-the-top (OTT), como aplicações de agenda e tradução na nuvem, e vídeo on-demand, que já conta com 4,5 milhões de usuários. "Para lutar contra os OTT, acho que é possível se diferenciar. A nossa diferença é que temos 16 milhões de assinantes domésticos, e esse é o ponto de partida", diz.

A chave é usar uma camada da própria tele de aplicações por cima do que estiver sendo usado. "Podemos personalizar, não importa qual é o device, pode ser Android, Tizen, iOS ou i-mode", declara Asami. "Nosso presidente quer ter US$ 11 bilhões de receita de novos negócios no ano fiscal de 2015", diz.

Olhando para o umbigo

Mesmo com todas as oportunidades, a NTT DoCoMo estaria olhando excessivamente para o mercado interno. Ao menos é o que o professor da universidade de Hitotsubashi, Yuichi Washida, alega. Ele afirma que a operadora sofre do que chama de "síndrome de Galápagos", em uma alusão ao arquipélago onde o naturalista Charles Darwin pesquisou e criou a teoria da evolução. "Falando diretamente, falta um bom gerenciamento na NTT", afirma, lembrando que é uma administração familiar.

Washida diz que a síndrome de Galápagos, aplicável no mercado japonês frente à forte competição da China e Coreia do Sul, tem sido revertida pelas empresas mais jovens. Um dos casos é a SoftBank, que comprou recentemente a Sprint e tem mostrado interesse em investir em novos negócios fora do Japão. "É uma nova e grande tendência, bem diferente do modelo japonês. Muita gente, especialmente os jovens, esperam que a SoftBank seja bem sucedida", detalha.

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